Copa de 2014 será mais cara da história, diz consultor do Senado

Levantamento da Consultoria Legislativa do Senado aponta gastos da ordem de US$ 40 bilhões

Eduardo Simões, Reuters

29 Junho 2011 | 16h27

SÃO PAULO - A Copa do Mundo de 2014 no Brasil será a mais cara da história, com gastos da ordem de 40 bilhões de dólares (cerca de R$ 62 bilhões), segundo levantamento da Consultoria Legislativa do Senado. Os números foram considerados sem "nenhum fundamento" pelo ministro do Esporte, Orlando Silva, nesta quarta-feira.

"O nosso país, dono de vários recordes no futebol mundial, já tem mais um: o da Copa mais cara de todos os tempos", afirmou o consultor legislativo do Senado para as áreas de Turismo e Esporte, Alexandre Guimarães, em artigo.

Nesta conta estão incluídos 33 bilhões de reais anunciados pela presidente Dilma Rousseff para obras de infraestrutura da Copa - incluindo segurança e saúde -, 7 bilhões de reais que devem ser gastos em estádios pelo setor público e os 20 bilhões de reais que o BNDES disponibilizará para financiamento do trem-bala Rio de Janeiro-São Paulo.

Somados, esses valores chegariam a 38 bilhões de dólares pela cotação do dólar na tarde desta quarta. O trem-bala, no entanto, não ficará pronto para a Copa do Mundo de 2014 e sua operação durante a Olimpíada de 2016 no Rio não é uma exigência colocada em edital para a empresa que vencer a licitação.

Mesmo assim, os valores a serem gastos pelo Brasil ainda ficariam bastante acima dos 8 bilhões de dólares que, segundo Guimarães, a África do Sul desembolsou para realizar o evento, até hoje o mais caro da história, entre estádios e obras de infraestrutura.

"Mesmo o número específico para a Copa [excluindo gastos com infraestrutura], vai passar fácil a África do Sul, que foi a mais cara até agora", disse o consultor, por telefone.

O ministro Orlando Silva contestou o levantamento da Consultoria Legislativa do Senado e afirmou que o número de 40 bilhões de dólares apontado por Guimarães é "cabalístico" e sem "nenhum fundamento".

"A Copa do Mundo é um estímulo, é um catalisador, um mecanismo que faz com que o país antecipe investimentos que, mais cedo ou mais tarde, teria que fazer para melhorar as suas cidades", disse Silva durante o programa Bom Dia, Ministro, da NBR.

Para ele, "não é justo colocar na conta da Copa" esses investimentos em áreas que não terão ligação direta com o evento. "O que tem que se colocar na conta da Copa são os investimentos em estádios, os investimentos em questões operacionais para a realização do Mundial", defendeu.

Para Guimarães, da Consultoria Legislativa do Senado, no entanto, foi o governo que colocou todos os investimentos na mesma rubrica da Copa do Mundo. A consultoria é encarregada de produzir estudos e notas técnicas de esclarecimento sobre questões de relevância para o Congresso.

Para ele, um exemplo disso é a aprovação na Câmara dos Deputados do Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para obras do Mundial e dos Jogos Olímpicos de 2016.

"Por que se aprovou o RDC? Para a Copa", disse Guimarães. "Tudo vai entrar como obra da Copa depois do RDC", acrescentou.

Na madrugada desta quarta-feira os deputados concluíram a votação da medida provisória que cria um regime especial para as obras da Copa do Mundo de 2014, das Olimpíadas de 2016 e da Copa das Confederações de 2013.

Pelo regulamento, que ainda tem que ser aprovado no Senado, o governo não precisará informar ao público os valores que pretende gastar em cada obra até o final da licitação. Durante o processo, esses dados ficarão restritos a órgãos de controle.

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