Coragem para aprender em padrões internacionais

Análise: Ilona Becskeházy F. de Sousa

CONSULTORA EM EDUCAÇÃO, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2012 | 02h03

Recentemente, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso em prol da igualdade de oportunidades de aprendizagem, o que poderia significar um estímulo para queimarmos etapas e quebrarmos paradigmas. Mas ela não foi específica em seu plano nem em suas ações. Mais um soluço discursivo? Vejamos...

Igualdade de oportunidades de aprendizado é um conceito teórico que pressupõe a existência de políticas públicas constituídas por altas expectativas de aprendizado, mesmo para alunos pobres; por currículos com padrões muito bem definidos, que reflitam as altas expectativas; pelo monitoramento do desenrolar do currículo nas salas de aula e nas cabeças dos alunos, com avaliações padronizadas e alinhadas com o currículo; pela garantia de salas de aula apropriadas para o ensino, com infraestrutura física e didática compatível com as altas expectativas; e por profissionais da educação com competência técnica e altos padrões éticos.

Sabemos que o Brasil está a anos-luz dessa estrutura de políticas educacionais, porque está preso em uma armadilha de má qualidade, sem disposição clara para desarmá-la.

A arapuca institucionalizada, que também afeta a elite, começa com um ensino básico sem padrões de qualidade definidos, que produz egressos semianalfabetos, que vão para uma formação docente inócua e descolada das necessidades pedagógicas do País, perpetuada por uma pós-graduação desatualizada e protegida por uma regulação setorial medíocre e politizada que, por sua vez, impede a melhoria de qualidade da educação básica.

Viradas de jogo e mudanças radicais de rumo exigem coragem para estabelecer objetivos ambiciosos, uma clara visão de onde se quer chegar para, então, poder ser compartilhada com os envolvidos, capacidade de comunicar e de mobilizar pessoas na direção certa, competência técnica e recursos para pôr de pé os processos necessários e muita energia para enfrentar os obstáculos.

Precisamos urgentemente de lideranças educacionais que reúnam essas qualidades. Vivemos sob um embate de ideologias que empobrece e radicaliza posições e ainda não conseguimos chegar a soluções de consenso. Antes, somos engolidos por diferentes grupos que não estão dispostos a ceder seu pedacinho de hoje em nome do amanhã.

O futuro educacional brilhante do Brasil pode estar nas mãos de Dilma e de seu ministro da Educação. Mas eles ainda não apresentaram um plano estruturado que revele a visão de longo prazo. Então, que ao menos consigamos nos unir para perguntar: presidente Dilma, qual é o seu plano para finalmente priorizar a excelência e a equidade da educação básica? Qual o tamanho da sua ambição para os alunos brasileiros?

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