Corpo de Oscar Niemeyer é sepultado no Rio

Cerca de 400 pessoas acompanharam enterro ao som de 'Carinhoso', pela Banda de Ipanema, e hino comunista

HELOISA ARUTH STURM, CLARISSA THOMÉ, LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2012 | 02h07

Ao som de Carinhoso e da Internacional, o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer foi enterrado às 18 horas de ontem diante de mais de 400 pessoas, contrariando a decisão da família de fazer uma cerimônia fechada. Além de parentes e amigos, admiradores anônimos e curiosos acompanharam o sepultamento, no Cemitério São João Batista, no Rio.

A música de Pixinguinha foi tocada pela Banda de Ipanema, da qual Niemeyer era patrono, e o hino dos comunistas, cantado por velhos companheiros de militância do arquiteto. Niemeyer morreu na noite de quarta-feira, aos 104 anos.

O enterro aconteceu depois de quase nove horas de velório, no Palácio da Cidade, sede oficial da prefeitura do Rio. O palácio foi aberto ao público entre 8h30 e 16h. Antes da saída do caixão, às 17h15, cerca de 150 pessoas assistiram a um culto ecumênico. A viúva, Vera Lúcia, ficou ainda mais emocionada quando, de mãos dadas, o público cantou a música Suíte do Pescador, de Dorival Caymmi, puxada pelo pastor luterano Mozart Noronha.

Entre as muitas coroas de flores que homenagearam Niemeyer, militante comunista desde a juventude, destacavam-se as enviadas pelos irmãos Fidel e Raul Castro. O ex-presidente cubano lembrou o "incondicional amigo de Cuba Oscar Niemeyer" e assinou: "comandante em chefe Fidel Castro Ruiz". Raul, sucessor do irmão, citou o "querido amigo Niemeyer".

Viúva do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Maria Prestes levou uma bandeira com a foice e o martelo. "Ele se preocupava com o bem-estar do povo brasileiro. Era um grande amigo da nossa família", disse. Na entrada do palácio, uma enorme bandeira do PC do B foi aberta por filiados ao partido.

A genialidade do arquiteto foi destacada pelos colegas. "Já tem alguém que pode redesenhar a Via-Láctea", brincou o ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Paraná Jaime Lerner. O poeta Ferreira Gullar lembrou a amizade de 50 anos. "É uma dor irreparável", lamentou.

O prefeito Eduardo Paes vai transformar em esculturas três desenhos feitos por Niemeyer em agosto passado. As peças enfeitarão o boulevard que será construído na zona portuária. O prefeito também estuda instalar uma estátua de Niemeyer na mesma região.

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