Arquivo Pessoal
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Cortando cebola no Minhocão e chorando de emoção

Alice Dias, estudante de gastronomia, trabalhou no Chefs na Rua e conta o perrengue que foi

Alice Dias,

09 Maio 2012 | 19h09

Meu querido amigo Luiz Emanuel (ex-Allez, Allez!) me chamou para participar do Chefs na Rua com ele. O desafio era enorme: servir steak tartare, um prato complexo e delicado, na rua para milhares de pessoas; manter a carne crua fresca e refrigerada; e servir um prato desconhecido pela maioria do público. A ideia era preparar 400 kg de steak tartare, o suficiente para 2 mil porções. 

Fomos às compras: 300 kg de carne, dois sacos de cebola (picadas na ponta da faca na madrugada de lua cheia em pleno Minhocão, chorando de emoção); 300 kg de batata; montes de vidros de alcaparra, conhaque, molho inglês, pimenta, salsinha, alecrim e temperos e condimentos para a carne.

Chegamos ao Minhocão às 3h30 da manhã, as barracas estavam sendo montadas. Sem poder começar o trabalho, o jeito foi aproveitar o momento numa São Paulo tão diferente. Tomamos sopa de cebola com Jacquin, umas cervejas e de repente eram 6h e as barracas estavam prontas. Mas e a luz? Nada, só a da lua. Energia para geladeira, freezer, forno e fritadeira? Nada! Pia? Água para lavar as mãos? “Em breve”. E fomos trabalhando. 

Às 8 horas muita gente já passeava pelas barracas, mas os caixas ainda não estavam funcionando. As pessoas estavam famintas, viradas. As fichas chegaram, mas a energia não. E não havia como servir. “Mas o tartare é cru”, insistiam. Porém sem energia, sem fritadeira... O steak tartare com as batatas fritas só começou a sair por volta das 10h. Tudo temperado e montado na hora. Éramos quatro: o chef, eu e dois ajudantes. Não houve pausa, conversar era impossível, ao meio-dia a fila e o tumulto já tomavam conta do local.

Alice Dias é estudante de gastronomia

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