Criadas células-tronco a partir de óvulos não-fertilizados

Técnica poderia gerar tecidos de transplante compatíveis com a doadora do óvulo

Agencia Estado

02 Julho 2007 | 08h54

Cientistas afirmam ter criado células-tronco embrionárias ao estimular óvulos ainda não-fertilizados, um passo importante rumo à produção de tecidos para transplante que seja geneticamente personalizado para mulheres. O avanço levanta a possibilidade de, no futuro, uma mulher que deseje realizar um transplante possa doar óvulos a um laboratório que os usará para criar tecidos compatíveis, livres do risco de rejeição. Especialistas em bioética divergem quanto ao potencial da estratégia para contornar as objeções filosóficas que atingem outras áreas de pesquisas com células-tronco embrionárias. Essas células podem assumir virtualmente qualquer papel dentro do corpo, e pesquisadores esperam, um dia, usá-las no tratamento de diversas doenças. Mas o processo tradicional de colher essas células destrói embriões, o que atrai a oposição de diversos setores. Para criar tecidos geneticamente personalizados para pacientes específicos, alguns cientistas tentam desenvolver um processo chamado clonagem terapêutica, no qual o DNA de um paciente é inserido em um óvulo não-fertilizado, gerando um embrião que terá as células extraídas. Mas esse trabalho ainda não foi executado em humanos. O novo experimento adota uma abordagem diferente: estimula o óvulo não-fertilizado a iniciar o desenvolvimento embrionário. Cientistas crêem que esse desenvolvimento é incapaz de avançar até o ponto de gerar um bebê mas, como o novo trabalho mostra, é capaz de gerar células-tronco compatíveis com a doadora do óvulo. O estudo, publicado online pelo periódico Cloning and Stem Cells, é de autoria de pesquisadores da empresa Lifeline Cell Technology, baseada nos EUA e na Rússia. O presidente da Lifeline e um dos autores do trabalho, Jeffrey Janus, afirma que as células-tronco produzidas por esse método poderão ser úteis para outras pessoas além da doadora do óvulo, desde que em combinação com drogas para combate à rejeição. Ele e seus colegas informam ter criado seis linhagens de células-tronco embrionárias, uma das quais apresentou anomalias nos cromossomos. Eles obtiveram os óvulos de cinco mulheres, que concordaram em doá-los para pesquisa científica. Segundo o pesquisador George Daley, do instituto de Células-Tronco de Harvard, o trabalho é interessante, mas falta determinar se a falta do DNA de um pai não fará diferença no desempenho das células. O padre Tad Pacholczyk, do Centro Nacional de Bioética Católica, afirma que os embriões formados desse modo poderiam ser encarados como "seres humanos de vida curta" e deficientes. "Esses embriões não deveriam ser criados para serem destruídos", disse.

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