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Críticos repudiam estudo sobre a felicidade ligada à genética

SHARON BEGLEY - REUTERS

25 Agosto 2014 | 21h 50

Um estudo de 2013 de grande repercussão que concluiu que diferentes formas de felicidade estão associadas a padrões dramaticamente diferentes de atividade genética está gravemente equivocado, de acordo com uma análise publicada nesta segunda-feira que criticou o levantamento com uma linguagem raramente vista em jornais científicos.

O novo estudo, publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences, repudia a pesquisa por suas “análises dúbias” e “metodologia equivocada” e afirma que “conjurou efeitos inexistentes do nada”.

No levantamento de 2013, os pesquisadores pediram a adultos para responderem a um questionário de 14 itens que os dividiu em dois grupos: interessados no bem-estar hedonista (divertimento e prazer egoísta) ou no bem-estar eudaimônico (que conduz a uma vida com propósito).

Os dois grupos, segundo os pesquisadores liderados pela psicóloga Barbara Frederickson, da Universidade da Carolina do Norte, exibiram padrões diferentes de atividade em 53 genes. Os hedonistas mostraram atividade de DNA semelhante à de pessoas que sofrem de estresse crônico induzido por doenças.

Os genes relacionados com o estresse, incluindo aqueles envolvidos em inflamações, ficaram hiperativos; os genes relacionados à fabricação de anticorpos que combatem as inflamações, o oposto.

Aparentemente, os hedonistas tendem a uma existência repleta de doenças e a uma morte precoce, como a mídia alertou em reportagens com manchetes como “Propósito é mais saudável que felicidade”.

A afirmação chamou a atenção de Nick Brown, britânico que trabalha com tecnologia da informação e se tornou um aplicado crítico amador do que vê como análises estatísticas sofríveis em pesquisas psicológicas.

Quando ele e colegas seus dissecaram o estudo de 2013, encontraram inúmeros problemas, afirmou. Um deles é que os autores não foram capazes de detectar que pessoas com padrões de atividade genética específicos no sistema imunológico podiam estar gripadas quando foram testadas.

Mais sério que isso, declarou Brown, é que o questionário estava equivocado. Pessoas que fizeram muitos pontos em três itens que deveriam identificar hedonistas pontuaram igualmente bem em 11 quesitos do perfil eudaimônico.

Ainda mais devastador foi o que aconteceu quando Brown agrupou os itens aleatoriamente, chamando aqueles que tiveram pontuação alta nas questões 1, 7 e 8 (ou qualquer das 8.191 outras combinações) de um tipo de pessoa e aqueles com pontuação alta em outras questões de outro tipo.

Mesmo com agrupamentos tão absurdos, havia padrões de atividade genética aparentemente característicos de cada grupo.

Em resposta a Brown, Frederickson e o coautor Steven Cole, da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, rejeitam a crítica e afirmam que seus achados de 2013 se repetiram em uma nova amostragem de 122 pessoas.