Cuil: ‘matador do Google’ ou só mais um ‘hype’?

Novo buscador de ex-funcionários do Google gerou empolgação e críticas ácidas na semana passada

Rodrigo Martins,

04 Agosto 2008 | 00h00

Na semana passada, não se falava de outra coisa no mundo dos bits e bytes. Foram mais de 86 mil posts em blogs e mais de 3 mil notícias em sites de tecnologia. Todos queriam falar do pretenso "matador do Google", um tal de Cuil (www.cuil.com), que foi lançado na segunda e prometia, de forma nada modesta, ser "o maior buscador da web". Na estréia, o texto de apresentação cheio de adjetivos descrevia o site como uma "forma inovadora de buscas", com mais segurança e relevância, além de "indexar 120 bilhões de páginas, ou três vezes mais que qualquer outro buscador." O texto também salientava o "pedigree" dos criadores do serviço: ex-especialistas em buscas do Google. E a coisa começou a se espalhar. Antes de o serviço entrar no ar, o jornal norte-americano The New York Times já publicava "que analistas dizem que o site tem potencial" justamente pelo tal "pedigree". A revista Forbes se disse impressionada por um site com pouca estrutura ter conseguido indexar tantas páginas. Já blogs e sites menores chamavam a novidade de "matador do Google". Tudo, entretanto, mudou na estréia. O Cuil, cujo nome é inspirado em uma palavra irlandesa antiga que significa conhecimento e lê-se "cool", ficou lento pelo excesso de acessos e sua forma de buscas, baseada em "um método inovador de análise do conteúdo", não cumpriu o que prometia. Blogs como o Techcrunch, um dos mais importantes em tecnologia, já na terça afirmavam que o site havia sido um engodo. "Foi culpa da empresa. Ela ‘brifou’ todos os blogueiros e jornalistas de tecnologia do mundo, mas não permitiu a ninguém testar antes do lançamento. A partir daí o que era empolgação virou uma saraivada de críticas: "Para fazer um buscador, é preciso mais do que um nome estranho", publicou a PC Magazine, dos EUA. "O ‘mega-hypado’ Cuil incomoda muito pouco o Google", escreveu a revista Time. Mas o Cuil não traz nada de novo? Tem, mas no mais importante, que é a relevância nos resultados, ele fica devendo. O site, por exemplo, não tem as opções de pesquisas em blogs, notícias ou datas como o Google. O Cuil, embora se diga mais "inteligente", também não é capaz de sugerir a grafia correta de um termo pesquisado caso o usuário erre na digitação. Nos testes, o Link, por exemplo, foi pesquisar por Madonna, mas escreveu de propósito ‘Mdonna’. O Cuil, ao contrário do que o Google faz, não sugeriu a grafia correta e apresentou resultados totalmente irrelevantes. Mesmo assim, o site traz algumas novidades, como uma forma diferente de se enxergar os resultados das buscas. Em vez de uma lista, ele coloca os endereços em um "formato de revista". Os links ficam lado a lado, com uma foto pequena retirada de cada site sugerido. Quando você faz uma pesquisa, o site também sugere outros termos para busca que tenham a ver com o assunto. Por exemplo, pesquisou a palavra "Brasil", ele mostra, em uma caixa cinza lateral, sugestões de músicos e de lutadores marciais (?) do País. Outro recurso inteligente é o de autocompletar. Quando você começa a escrever uma palavra, o site ‘puxa’ do banco de dados a continuação e, se estiver cadastrado, já exibe o endereço oficial antes de o internauta apertar o botão procurar. As novidades, entretanto, não agradaram. Não bastam recursos novos sem resultados satisfatórios. Em inglês o site até funciona melhor. Mas, em português, quando se busca um assunto, o que vem primeiro é, quase sempre, um link para a Wikipedia. Por exemplo, quando se procura por "Caetano Veloso", o site oficial do cantor é mostrado apenas na quarta posição. O pior acontece com quem quer saber mais sobre a humorista Dercy Gonçalves. O resultado mostra um link para a Wikipedia com (pasmem!) uma foto do terrorista Osama Bin Laden como se fosse relacionado à humorista. Inacreditável. Por enquanto, o Cuil é só mais um hype da web.

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