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Demanda de empresas por segurança cresceu após Snowden, diz CEO da BlackBerry no Brasil

LUCIANA BRUNO - REUTERS

20 Agosto 2014 | 13h 39

As denúncias de espionagem feitas pelo ex-analista da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos Edward Snowden fizeram crescer a demanda de empresas brasileiras por sistemas de segurança para redes móveis, disse à Reuters o diretor-geral da BlackBerry no Brasil, João Stricker.

Nos últimos meses, a BlackBerry fechou contrato com Itaú Unibanco, Santander, JAC Motors e Odebretch para fornecer sistemas de gestão e segurança de redes de smartphones e tablets contra vírus, espionagem e invasão de hackers.

Após perder espaço no mercado de smartphones para Apple e Samsung nos últimos anos, a canadense quer se firmar como importante player no mercado corporativo, no qual tem se focado após uma reestruturação global de mais de três anos concluída em agosto, que envolveu a redução de 60 por cento de sua força de trabalho.

Para Stricker, ao menos 75 por cento das empresas do país ainda não têm sistemas de segurança para smartphones --tanto os adquiridos pelas companhias como os dos próprios funcionários, cada vez mais usados para acessar dados corporativos.

"Há necessidade de criar ambiente de mobilidade nas empresas de maneira segura", disse o executivo. "Temos a impressão de que as empresas brasileiras estão tão ansiosas para usar aplicações móveis que acabaram fazendo isso de forma muito acelerada e sem tanta preocupação com segurança".

Segundo ele, as denúncias de Snowden de que empresas como Petrobras foram alvo de espionagem da agência norte-americana mostraram a fragilidade das redes de proteção das companhias, especialmente dos smartphones corporativos.

Os serviços de proteção de redes móveis da BlackBerry não se limitam aos aparelhos da fabricante, mas incluem também iPhones e os com sistema operacional Android, do Google. O serviço prevê a instalação de um "contêiner" nos aparelhos das outras marcas para separar a informação corporativa da pessoal.

Além das soluções antiespionagem com criptografia de dados, a empresa também pretende lançar soluções de criptografia de voz, após a aquisição recente da companhia alemã Secusmart.

Apesar de a estratégia atual ser voltada para gestão e segurança de redes móveis, a BlackBerry descarta acabar com o negócio de smartphones, disse Stricker. Segundo ele, a solução de segurança fica mais "completa" quando o cliente usa aparelhos da marca. O segmento de smartphones representa atualmente 40 por cento das receitas da empresa no mundo, proporção que já foi inversa anos atrás.

"Não deixamos de lado o mercado consumidor. Focamos num perfil de cliente mais profissional, que usa o celular para trabalhar", disse Stricker, citando como atrativos do smartphone da BlackBerry a segurança e a durabilidade da bateria.

O executivo admite que a empresa cometeu equívocos estratégicos no passado, facilitando a ascensão dos concorrentes. "Fizemos a primeira revolução, trouxemos o e-mail e o comunicador instantâneo para dentro do smartphone", disse. "Mas veio a segunda revolução, que foi trazer aplicativos, conteúdo. Demoramos muito para desenvolver nosso sistema e responder a isso", declarou.

Esse atraso, disse, foi compensado com o sistema operacional BlackBerry 10, lançado em 2013, que permite aos aparelhos da marca acessar aplicativos das outras plataformas. Até o fim do ano, a empresa anunciará parceria global com a Amazon Appstore, que disponibilizará mais de 200 mil aplicativos Android para a plataforma.

No segundo trimestre de 2014, o market share da BlackBerry no mundo era de 0,5 por cento, forte queda frente aos 2,8 por cento do mesmo período do ano passado, segundo dados da empresa de pesquisas IDC citados pela consultoria Teleco. A Samsung lidera, com 25,2 por cento (frente a 32,2 por cento no mesmo período de 2013). A Apple está em segundo, com 11,9 por cento (frente a 13 por cento).

No Brasil, a BlackBerry tem 39 por cento do mercado de gestão de mobilidade corporativa, informou a empresa.

(Edição de Aluísio Alves)