Demolição libera centro cultural na cracolândia

O cenário da região central de São Paulo vai mudar mais uma vez. Um quarteirão será parcialmente demolido na região da cracolândia, entre as Ruas Dino Bueno e Helvétia, Alameda Cleveland e a Praça Júlio Prestes. A demolição acontecerá para que uma nova sede do 2.º Batalhão do Grupamento Norte do Corpo de Bombeiros seja construída. Atualmente, os bombeiros ocupam o último prédio que impedia a construção do Complexo Cultural Luz.

JULIANA DEODORO, Agência Estado

14 Dezembro 2012 | 08h33

Da quadra original restarão apenas os dois maiores edifícios que ocupam o local: um pertence ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e o outro, residencial, tem 77 apartamentos. Os 27 lotes que serão demolidos no quarteirão já foram desapropriados, mas acabaram invadidos por famílias da Frente Luta Moradia (FLM).

Por causa da invasão, a aposentada Maria Aparecida Berci, de 57 anos, que mora no Edifício Miri, residencial que será mantido na quadra, duvida que a demolição vá realmente ser feita. "Estamos há não sei quantos anos esperando por essa construção e agora temos de conviver com invasores. Eles estão fazendo obras nos prédios e nós estamos aqui, abandonados", reclama.

O coordenador da FLM, Osmar Borges, diz que o movimento espera dialogar com o Estado antes que os prédios sejam demolidos. "Estamos aguardando para dialogarmos sobre de que forma essas famílias poderiam ser atendidas." O Estado afirma que Procuradoria-Geral será acionada e estudará as medidas cabíveis. Já a presidente da Associação de Moradores e Comerciantes dos Campos Elísios, Dinah Piotrowski, não vê o processo de mudança da região com simpatia. Segundo ela, a demolição dos prédios para a construção do complexo foi "criminosa". "Todo mundo quer morar em um lugar limpo, que não tenha morador de rua e não seja perigoso, mas um monstro de vidro não vai resolver o problema", diz.

Complexo cultural

Com projeto do escritório suíço Herzog & De Meuron e orçamento de R$ 400 milhões, o Complexo Cultural deve começar a ser construído no segundo semestre de 2013. É a obra mais importante que será realizada pelo governo do Estado na região, exemplo de degradação.

O terreno de 18 mil metros quadrados deverá abrigar um teatro de dança e ópera com 1.750 lugares, um teatro experimental com 400 lugares e uma sala de recitais com 500 lugares, projetada em forma de ovo. O complexo também será sede de companhias do Estado, como a SP Companhia de Dança, a Escola de Música Tom Jobim e a Sinfônica Jovem do Estado. E receberá também produções autônomas.

O edifício do Corpo de Bombeiros figura hoje solitário no meio do terreno vazio. Segundo a Secretaria de Cultura, responsável pelo projeto, as novas instalações serão mais modernas e "adequadas ao atendimento da população". O tamanho, pelo menos, deverá aumentar. Os bombeiros vão sair de um terreno de 2,2 mil metros quadrados para ocuparem 4,3 mil metros quadrados. O custo total da obra de demolição e construção da nova sede será de R$ 655 mil. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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