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Dilma dará início à reforma ministerial após viagens ao exterior, dizem fontes

A presidente Dilma Rousseff só deve começar a aguardada reforma ministerial, substituindo ao menos dez membros do primeiro escalão, depois de retornar das viagens internacionais que fará neste mês, disseram fontes do Palácio do Planalto.

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JEFERSON RIBEIRO,
Reuters

09 Janeiro 2014 | 19h33

Dilma viaja no dia 22 a Davos, na Suíça, onde participa do Fórum Econômico Mundial, e depois vai a Havana, em Cuba, para reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e, em seguida, participa de encontro do Mercosul, em Caracas, na Venezuela. A reunião em Cuba ocorrerá dia 26 e a do Mercosul estava prevista para dia 31, mas a data vai ser alterada.

Com isso, a maior parte das trocas deve ocorrer em fevereiro, quando o Congresso já estará de volta aos trabalhos. Uma das fontes do Planalto afirmou à Reuters, sob condição de anonimato, que Dilma deve começar as mudanças pelo comando da Casa Civil. Gleisi Hoffmann deixará a pasta para se candidatar ao governo do Paraná.

Segundo essa fonte, a tendência é que Aloizio Mercadante, atual ministro da Educação, seja escolhido para substituí-la, mas a presidente ainda não teria batido o martelo. Se a mudança se confirmar, há pelo menos duas possibilidades sendo estudadas: efetivar o atual secretário-executivo José Henrique Paim ou transferir a ministra da Cultura, Marta Suplicy, para o posto.

A maior parte das mudanças será feita usando a lógica eleitoral, garantindo também o ingresso de novos aliados no primeiro escalão para formar um grande arco de alianças visando a disputa à reeleição. Nesse sentido, o recém-criado Partido Republicano da Ordem Social (Pros) pode ganhar um ministério.

Dilma, porém, tem mantido nomes e negociações em sigilo e só teve uma conversa um pouco mais abrangente sobre a reforma nesta quinta-feira com o vice-presidente Michel Temer.

Segundo um peemedebista, no entanto, Dilma teria dito a Temer apenas que vai dar início às conversas e negociações para a reforma a partir da próxima segunda-feira.

A presidente deve manter os atuais ministérios comandados pelo PMDB (Turismo, Agricultura, Aviação Civil e Minas e Energia) sob a órbita do principal aliado do governo no Congresso, segundo uma das fontes do Planalto. A tendência, segundo essa fonte, é que o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) seja nomeado ministro da Integração Nacional, como deseja a legenda. A pasta estava com o PSB, que desembarcou do governo em setembro.

O PMDB ainda não recebeu esse indicativo, segundo a fonte da legenda, que falou sob condição de anonimato. O partido reivindica desde o início do governo a ampliação do número de ministérios sob seu controle e com a saída do PSB essa cobrança voltou com toda força.

A fonte do PMDB afirmou ainda que a bancada da Câmara cogita dois nomes para substituir os ministros que deixarão os cargos para disputar eleições. Para o lugar de Gastão Vieira (Turismo), um dos nomes ventilados é o do deputado Sandro Mabel (GO), que teria ainda que receber o aval do líder da bancada, deputado Eduardo Cunha (RJ).

Na Agricultura, é possível que o partido indique o deputado Silas Brasileiro (MG), que é suplente do atual ministro, Antônio Andrade. Brasileiro é empresário do meio rural.

Não há confirmação, porém, de que Dilma já tenha recebido essas indicações de Temer. O único nome que já teria sido levado pelo partido à presidente é o de Vital do Rêgo.

Também devem deixar o governo os ministros Aguinaldo Ribeiro (Cidades), Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário), Maria do Rosário (Direitos Humanos), Alexandre Padilha (Saúde) e Marcelo Crivella (Pesca).

Não serão feitas mudanças na equipe econômica, segundo as fontes. No final do ano passado Dilma já havia garantido que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não será substituído.

"No que se refere ao ministro Guido, pela vigésima ou trigésima vez, eu reitero que o ministro Guido está... ele está perfeitamente no lugar onde ele está", disse Dilma a jornalistas em dezembro.

Dilma pode trocar ainda a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o ministro interino dos Portos, Antonio Henrique Pinheiro Silveira.

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