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Dilma diz não acreditar que governo Obama tenha responsabilidade por espionagem

REUTERS

10 Julho 2014 | 17h 53

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista à CNN exibida nesta quinta-feira, não acreditar que o governo do presidente dos Estados Unidos Barack Obama tenha "responsabilidade" pela espionagem praticada contra o governo, empresas e cidadãos brasileiros, além de afirmar que a administração norte-americana avançou em alguns pontos relacionados ao tema.

O vazamento de informações de que a agência de inteligência norte-americana estava monitorando dados inclusive da própria presidente causou um mal-estar diplomático que culminou, inclusive, com o cancelamento de uma viagem oficial que Dilma faria ao país.

As denúncias de espionagem também a motivaram a condenar o ato de forma enfática e propor uma governança global sobre segurança na Internet em seu discurso de abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

"Olha, eu não acredito que a responsabilidade... pelos hábitos de espionagem seja da administração do presidente Obama. Eu acho que ela é um processo que vem ocorrendo depois do 11 de Setembro", disse Dilma na entrevista.

"Hoje eu acredito que eles deram vários passos", afirmou, após confirmar que cancelou a visita aos EUA que faria em setembro do ano passado por ausência de uma resposta satisfatória à época.

No início deste ano, Obama declarou que não haverá espionagem de chefes de Estado e de governos “amigos”.

As denúncias de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou e-mails, mensagens de texto e telefonemas entre a presidente e assessores, além de dados de empresas, como supostamente a Petrobras, e cidadãos brasileiros foram feitas com base em documentos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden.

Notícias publicadas pela mídia brasileira no ano passado com base nesses documentos revelaram que a agência norte-americana usou programas secretos de vigilância da Internet para monitorar as comunicações no Brasil.

Outros chefes de Estado também foram vítimas de espionagem, segundo esses documentos, caso da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente mexicano, Enrique Peña Nieto.

Em visita ao Brasil no mês passado, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse estar confiante na melhora das relações entre os dois países

(Reportagem de Maria Carolina Marcello e Anthony Boadle)