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Dilma diz que acompanha situação no Maranhão, em primeira declaração sobre crise

Reuters

10 Janeiro 2014 | 12h 51

A presidente Dilma Rousseff se manifestou publicamente pela primeira vez nesta sexta-feira, via Twitter, sobre a crise de segurança pública no Maranhão, dizendo que acompanha o problema com atenção e que o governo federal vai adotar soluções semelhantes a medidas aplicadas em outros Estados para tentar resolver a violência nos presídios.

"Tenho acompanhado com atenção a questão da segurança no Maranhão", disse Dilma em sua página no microblog, um dia após visita do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ao Estado para debater o problema com a governadora Roseana Sarney (PMDB).

O Maranhão vive uma crise de segurança pública desde o ano passado iniciada dentro dos presídios, que se disseminou para as ruas. O Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, tem sido foco de atos de barbárie e disputas entre detentos, que resultaram na morte de ao menos 60 pessoas no ano passado.

Nesta semana, a divulgação de um vídeo com imagens de presos decapitados e a morte de uma criança após um ônibus ser incendiado em São Luís, numa ação que teria partido de organizações criminosas, levaram órgãos internacionais, como a ONU, a cobrar uma solução para a crise.

A situação prisional no Estado já era foco de tensão desde outubro do ano passado, quando o governo estadual decretou situação de emergência no sistema penitenciário. A situação resultou no envio da Força Nacional de Segurança e chamou a atenção da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A demora da presidente em se manifestar publicamente sobre a crise pode estar associada à questão política, já que a governadora é filha do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP), um dos mais poderosos aliados políticos do governo petista.

Após a reunião de quinta-feira, o ministro da Justiça e a governadora anunciaram medidas para conter a onda de violência no sistema carcerário do Estado.

No encontro foi acertado um plano de emergência que prevê ações integradas entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, incluindo a criação de um comitê gestor, a transferência de presos para presídios federais e a criação de um mutirão de defensores estaduais e federais para analisar a situação de detentos.

"Essas medidas são similares àquelas encaminhadas nos casos de SP, RJ, SC, AL, PR, por exemplo", disse Dilma no Twitter.

A governadora disse, após a reunião com Cardozo, que o Estado vinha fazendo investimentos no sistema prisional e apontou a disputa pelo comando do tráfico de drogas no Maranhão como o estopim para a crise de segurança. Ela chegou a argumentar que essa questão também está ligada ao enriquecimento do Estado.

"Desde o início do governo, determinei este reaparelhamento, principalmente com a construção das novas unidades prisionais. Mas, infelizmente, estourou esta crise, a partir da disputa pelo tráfico de drogas, que hoje é um problema em todo o Brasil. E aqui no Maranhão temos duas facções que estão dentro da Penitenciária de Pedrinhas e disputam poder", afirmou na quinta.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)