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Dilma diz que morte de mulher arrastada por PMs chocou o País

MARCELO GOMES E LETÍCIA SORG - Agência Estado

18 Março 2014 | 11h 26

'Nessa hora de tristeza e dor, presto a minha solidariedade à família e amigos de Cláudia', afirmou a presidente no Twitter

A presidente Dilma Rousseff (PT) usou sua conta no Twitter nesta terça-feira, 18, para lamentar a morte da auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, baleada e arrastada por uma viatura policial no Rio de Janeiro no domingo. "Nessa hora de tristeza e dor, presto a minha solidariedade à família e amigos de Cláudia."

"Cláudia da Silva Ferreira tinha 4 filhos, era casada havia 20 anos e acordava de madrugada para trabalhar em um hospital, no Rio", escreveu Dilma. "A morte de Cláudia chocou o País."

A morte de Cláudia. Moradora do Morro da Congonha, em Madureira, zona norte, Cláudia foi baleada na manhã de domingo, 16, durante uma troca de tiros entre PMs e traficantes na favela. Os PMs, então, colocaram-na no porta-malas de uma Blazer da corporação para levá-la ao Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, zona norte.

No meio do caminho, a porta do compartimento abriu. Desacordada, Claudia caiu de dentro do porta-malas, mas ficou presa ao para-choque da viatura por um pedaço de roupa. Ela foi arrastada por cerca de 250 metros, batendo contra o asfalto. A mulher ficou ainda mais ferida, com o corpo em carne viva.

A cena foi filmada por um cinegrafista amador, na altura da Estrada Intendente Magalhães, por volta das 9h. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, Claudia chegou morta ao hospital. A mulher foi baleada no pescoço e nas costas.

Em nota, a Polícia Militar informou que "este tipo de conduta não condiz com um dos principais valores da corporação, que é a preservação da vida e dignidade humana". A Polícia Civil também investiga o caso. Além de Cláudia, um suspeito de envolvimento com o tráfico também foi baleado na operação.

Prisão. Policiais da 29ª Delegacia de Polícia (Madureira) estiveram na favela e realizaram uma perícia. Dois fuzis utilizados pelos PMs durante a incursão no Morro da Congonha foram apreendidos.

A Polícia Militar do Rio determinou a imediata prisão administrativa de três PMs do 9º Batalhão (Rocha Miranda) que estavam na viatura que arrastou a auxiliar de serviços gerais. Dois subtenentes e um soldado estão presos. A corporação não divulgou os nomes dos policiais. Também foi instaurado um inquérito policial militar (IPM) para investigar o caso.

Revolta. Revoltados com a morte de Claudia, moradores do Morro da Congonha atearam fogo em dois ônibus e apedrejaram uma viatura da PM, na noite de domingo, na Avenida Ministro Edgard Romero, a principal de Madureira.

Os protestos continuaram na segunda-feira com a interdição de duas pistas da mesma avenida. Os manifestantes carregavam faixas pretas e com críticas à Polícia Militar.