Distúrbios contra alta de preços entram no 2o dia em Moçambique

Manifestantes bloquearam ruas com pneus em chamas e saquearam lojas nesta quinta-feira em Maputo, capital de Moçambique, no segundo dia de violentos protestos causados pelo aumento dos preços da água, energia e pão.

CHARLES MANGWIRO, REUTERS

02 Setembro 2010 | 10h00

Fontes policiais e hospitalares disseram na quarta-feira que seis pessoas morreram, inclusive duas crianças, por causa de disparos de policiais contra manifestantes, nos piores distúrbios desde 2008 nesta ex-colônia portuguesa de 23 milhões de habitantes.

Oficialmente, a polícia diz que quatro pessoas morreram, inclusive as duas crianças.

As mobilizações foram convocadas por mensagens de texto e emails, após os anúncios dos aumentos de preços. A água e a eletricidade tiveram alta em torno de 13 por cento, e o preço do pão subirá 30 por cento, neste que é um dos países mais pobres do mundo e nunca se recuperou totalmente de uma das mais sangrentas guerras civis da África (1976-92).

O ministro do Interior, José Pacheco, disse que o governo está tentando identificar a origem dos protestos, que começaram a ser convocados na terça-feira.

"Registramos mortos, feridos, perda de propriedade por meio do uso de pedras e de disparos de policiais usando balas de borracha. Não há ordem de usar munição real", disse Pacheco à emissora privada STV.

Outros policiais graduados disseram, no entanto, que em alguns lugares a polícia usou munição real depois de ficar sem balas de borracha. Cidadãos também disseram ter visto disparos de munição real.

"Estamos trabalhando na identificação das pessoas que organizaram os protestos, para atribuir-lhes a culpa pelos mortos e feridos, e também pela destruição de propriedade", afirmou Pacheco.

Embora oficialmente o saldo seja de quatro mortos, fontes da polícia e dos hospitais disseram que pelo menos seis pessoas morreram. A STV relatou dez mortes, cerca de 140 prisões, 27 feridos com gravidade e 32 saques a lojas e bancos.

"Não posso me arriscar a ir trabalhar, a polícia está fortemente armada, dispara indiscriminadamente com munição real, porque acha que todos estão envolvidos. É perigoso demais e estou ilhado aqui", disse Gerson Marcos, morador de Magoanine, populoso subúrbio de Maputo.

Pacheco declarou que a população, em vez de promover distúrbios, deveria dialogar com o governo. "Os protestos são ilegais e não vão contribuir com os esforços dos moçambicanos para acabar com a pobreza."

O presidente Armando Guebuza condenou na quarta-feira as mortes e a destruição de propriedades, e pediu à população que volte à ordem. Ele disse que o governo tem feito progressos na implementação de seu plano básico para melhorar a produção alimentar, a infraestrutura e as escolas.

Esses são os piores incidentes no país desde 2008, quando seis pessoas morreram em protestos contra o custo dos preços de combustíveis. Na época, o governo aceitou reduzir o preço do diesel usado nos "chapas" (vans de transporte coletivo).

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