Dois novos balcões

O cultuado A1, o izakaya de Shin Koike que funcionou até 2008 no ponto que pertenceu ao Komazushi, foi um discreto corte com faca de sushiman na cozinha japonesa de São Paulo. Um nanorrestaurante de 14 lugares, onde se provava apenas a degustação do dia. O chef Koike, também dono do Aizomê, tem consciência de que aquela atmosfera ficou nas memórias do Top Center pré-reforma. Mas sabe que os pratos que servia no apertado balcão deixaram aficionados. No novo Sakagura A1, aberto em sociedade com Roberto Ng, do Sushi Papaya, ele retorna a sabores e ideias daquele passado recente. Mas não só isso.

Luiz Américo Camargo, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2012 | 03h12

A casa ocupa o imóvel que já foi do Shimo, e sua ambientação se inspira no Japão dos anos 20/30 - em especial nos clubes que cultuavam o Ocidente e estilos como o art déco. A capacidade do restaurante é quase dez vezes a do antigo A1, com muitas mesas, mais um confortável balcão, no piso de baixo. No cardápio, Koike propõe petiscos de bar nipônico, pratos quentes e dá especial atenção à cozinha fria, tudo sob a supervisão dos sushimen Celso Amano, do Aizomê, e Katsuhiro Kobaiyashi, que veio de Sapporo.

O menu do Sakagura A1 estimula a beliscar e provar saquês. No almoço, há fórmulas entre R$ 40 e R$ 70, com bentôs, sushis, etc. À noite, o forte são os petiscos - o kit misto, com cinco opções (R$ 20), pode conter surpresas como bolinho de bacalhau e pãozinho ban com costelinha. E também os bons niguiris de Kobaiyashi que, segundo ele mesmo conta, seguem mais o estilo de Hokkaido do que o edomae (de Tóquio, predominante aqui). Seu pendor é por peixes marinados, temperados não só com shoyu e wasabi.

O Sakagura, por outro lado, retoma pratos do A1 como a rabada (inclusive na deliciosa versão harumaki, R$ 22) e a língua bovina chapeada, uma das melhores da cidade (R$ 16). São mesmo tal e qual no velho balcão da Paulista.

Dô Culinária Japonesa. Sem alarde, o Dô abriu em agosto uma filial na R. Padre João Manuel, com proposta idêntica à da casa de Pinheiros - sem muitas invencionices, mais afeita à tradição. A supervisão é do sócio Kazuo Ozaki, atento às conexões entre salão, cozinha e balcão. Seu cardápio traz boas sugestões de robatas (como as de polvo e perninhas de lula, respectivamente R$ 17 e R$ 12) e de tempurá (o de camarão sai por R$ 18), entre outros quentes, e uma razoável variedade de sushis.

A meu ver, a nova unidade capricha particularmente na qualidade do arroz, que me pareceu superior ao da matriz. Seus bolinhos são bem montados, com peixes e frutos do mar talhados com competência, por um preço bastante razoável (R$ 59 por 12 niguiris; a versão com ingredientes 'especiais' sai por R$ 120). Considerando as alternativas do entorno, eu diria que o Dô se coloca como um bom japonês do bairro. E, particularmente, assume a condição de sushi de combate (aquele que, se não é topo de linha, funciona numa refeição casual) mais confiável dos arredores.

O balcão só não fica mais agradável por conta da coifa, instalada sobre a chapa. Quando ela está ligada, o ruído é forte e incomoda. Na dificuldade de conversar, resta meditar. Mas vai atingir o satori com um barulho desses...

Onde ficam?

Sakagura A1. R. Jerônimo da Veiga, 74, Itaim-Bibi, 3078-3883. 12h/15h e 18h/0h (sáb., só jantar; dom., 12h/22h; 2ª só almoço).

Dô Culinária Japonesa. R. Padre João Manuel, 879, Jd. Paulista, 3061-2835. 12h/15h e 19h/0h (sáb. 13h/16h e 19h/23h30; fecha dom.).

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