Drama teve início há 5 anos,no réveillon

O ortopedista Lídio Toledo Filho dirigia o Honda Fit do pai ao ser fechado por dois adolescentes em uma motocicleta. Ele e a mulher, a pedagoga Maria Silene Trajano, haviam saído de casa, na Tijuca, para uma festa de réveillon na Barra, zona oeste. No Alto da Boa Vista, obrigado a diminuir a velocidade por causa de um radar, foi abordado.

RIO , O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2012 | 02h01

A primeira reação foi desestabilizar os adolescentes, para tentar escapar. Esbarrou com o carro na motocicleta. O veículo derrapou, foi parar sob o Honda e fez Lídio Filho perder a direção. Ao bater contra um portão, percebeu que havia outra moto, dando cobertura. Teve tempo de soltar um palavrão. Um dos rapazes desceu e fez três disparos contra o médico, outros três contra a pedagoga - ferida no tórax, tem uma bala alojada na base do pulmão direito; outra transfixou a mama esquerda e a terceira acertou o antebraço esquerdo.

Nos sete meses depois da tentativa de assalto, a polícia prenderia três acusados; entre eles um adolescente. Um deles morreu em abril de 2008, numa troca de tiros com a polícia no Morro do Borel.

Lídio fazia psicanálise havia 11 anos quando sofreu a lesão. "Todo médico deve ir ao terapeuta", afirma. Isso o ajudou a enfrentar o trauma. A rotina mudou completamente. Acostumado a frequentar a praia, teve de encontrar outro lazer - e esbarrou nas dificuldades de acesso.

"Não vou a um show há muito tempo. Não tem nada adaptado. A única opção é o cinema. Tenho até o telefone do gerente do Knoplex Leblon, de tanto que vou lá. Ligo e aviso que estou chegando, para ele reservar um lugar", diz.

Também se tornou mais sensível no trato com os pacientes. "Eu já me colocava no lugar do paciente. Agora, mais ainda. Um médico nunca pode falar que não tem mais jeito. Você tira a esperança da pessoa, seu direito de viver."

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