'É importante criar mecanismos de diagnóstico precoce'

Isabela Ribeiro defende exames entre gestantes das áreas onde a doença de Chagas era endêmica. "Mulheres em idade fértil podem ter a infecção e não saber." A ferramenta seria importante para garantir tratamento para bebês que fossem contaminados durante a gestação.

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2012 | 02h08

O Brasil ainda tem de se preocupar com a doença de Chagas?Dois aspectos são fundamentais: a garantia do diagnóstico e tratamento, sobretudo para mulheres em idade fértil. Quando a transmissão domiciliar foi interrompida, muitas meninas e jovens já podiam estar contaminadas. Inquérito mostra que a prevalência de casos entre crianças abaixo de 5 anos no Brasil não é grande. Mesmo assim, é preciso prevenir. É importante criar mecanismos de diagnóstico precoce, como a inclusão do exame no pré-natal, pelo menos nas áreas que foram de grande prevalência, como o Nordeste. E com evidências se acumulando sobre a importância do tratamento na progressão da doença, devemos garanti-lo ao maior número de infectados o quanto antes.

De onde viria o financiamento?

Doença de Chagas, assim como outras consideradas negligenciadas, escapam das forças de mercado. Daí a necessidade de mecanismos diferenciados. Hoje, investimentos privados ocorrem como parte da responsabilidade social. Mas financiamentos não podem ser esporádicos. É preciso criar incentivos e, sobretudo, ter a participação contínua de governos. A ideia da criação de um tratado, com metas para combate a doenças e financiamento dos países integrantes do grupo, parece-me ser o ideal. Num modelo como esse, pesquisa e desenvolvimento seriam financiados principalmente por recursos públicos. O auxílio da iniciativa privada continuaria sendo importante, mas ele seria menos dispendioso e se garantiria o acesso às populações hoje negligenciadas.

Diante da crise financeira,

como convencer países?

Claro que esse é um enorme desafio. Mas é preciso lembrar que essas doenças não são apenas fruto da pobreza, elas provocam pobreza.

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