É preciso aprender a comer só

Quanto mais tempo morando sozinhos, homens e mulheres passam a caprichar na cozinha

Olívia Fraga,

13 Janeiro 2010 | 18h34

Quem mora sozinho logo fica meio ranzinza com suas coisas, mas a tribo dos cozinheiros solitários gosta mesmo é de compartilhar – receitas, histórias, desventuras e conquistas na hora de enfrentar o fogão. Uma procura rápida na internet localiza centenas de blogs com receitas para solteiros ou solitários. Nas livrarias, o número de livros que tratam do assunto cresce a cada ano. Só nos Estados Unidos, em 2009, quatro obras dedicadas à comida de solteiro estiveram no topo da lista dos mais vendidos – em Nova York, "a cidade da solidão", 51% dos moradores da área metropolitana moram sozinhos. Judith Jones, lendária editora de Julia Child e James Beard, lançou-se nesse filão com The Pleasures of Cooking for One (Os Prazeres de Cozinhar para Um). O livro já é um dos mais vendidos na categoria na Amazon. Além de histórias, o livro traz dicas de como aproveitar cada ingrediente e ensina a equipar uma cozinha com o básico. A autora conta que recuperou o prazer de cozinhar mesmo depois de ter perdido o marido, Evan, em 1996. "Não tinha certeza de que pudesse gostar de cozinhar para mim, ou sentisse prazer em comer sozinha", diz, na introdução. "Mas estava errada e logo percebi que o prazer que compartilhamos era algo para se orgulhar." Em What We Eat when We Eat Alone (O que Comemos Quando Comemos Sozinhos), da pâtissière e escritora Deborah Madison, cada capítulo traz depoimentos de homens e mulheres que se viram entre o armário da cozinha e a geladeira, além de receitas – todas individuais – sugeridas pelos entrevistados. Veja também: 1 linguiça, ½ paio, 1 punhadinho de feijão O mico da 'mesa para um' no almoço lotado de domingo   A pesquisa de Deborah revela que homens e mulheres se alimentam de forma diferente. Ele, prático, resolve a vida com um grelhado ou um sanduíche, e faz sua refeição de pé, diante do fogão, ou até na pia. Ela, cuidadosa, enriquece receitas com ervas e temperos, serve-se de vinho e come confortavelmente no sofá ou na mesa. Mas quanto mais tempo passam morando sozinhos, ambos começam a arriscar pratos elaborados para receber amigos e pretendentes. O "jantar da sedução" é o ordálio de todo solteiro que quer provar experiência na cozinha. Cozinheira profissional há 30 anos e casada com Patrick McFarlin – ilustrador de seu livro –, Deborah conversou com o Paladar de sua casa no Novo México, enquanto finaliza um livro da série Seasonal Fruit Desserts. "Acho que os solteiros começam a entender que você não pode apenas se alimentar com besteiras ou junk food e que morar sozinho não é desculpa para deixar de cozinhar", diz. "Comer fora todos os dias não é econômico e não é uma boa ideia. A verdadeira razão de evitar o fogão é não gostar de comer bem sozinho, mas isso está mudando. É possível se divertir e apreciar uma refeição feita a sós."

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