E se um dia você acordasse e não houvesse internet?

Um possível pane geral da internet - assim como invasões alienígenas, catástrofes planetárias e a incapacidade dos sentidos - gera tanto medo nos seres humanos que já habita o mundo da ficção. O livro O Colapso dos Bibelôs (Moderna, 2008), da escritora campineira Índigo, desenha uma realidade sombria para adolescentes: o mundo desconectado.   O garoto Danilo acorda e percebe que todas as telecomunicações, fixas e móveis, não estão funcionando. É aí que se vê sozinho, já que não sabe onde os colegas virtuais moram nem como contatá-los numa situação como essa.   Índigo, 37 anos, escreve há 13 na internet, hoje mantém o blog diariodaodalisca.zip.net e pretende com o livro questionar quanto a tecnologia nos controla - em vez do contrário.   "Percebo com amigos que eles têm dificuldade de se comunicar, se colocar, dar opinião e discursar quando há pessoas reais ouvindo", diz.   Mas isso não é a demonização da rede, segundo ela. "Eu não seria nada sem internet. Minha geração de escritores só tem poder de articulação porque estamos na internet." A questão seria saber existir em ambas as realidades.   TRECHO DO LIVRO   "Continuo em frente ao computador, digitando feito louco. Estou aqui há três horas, escrevendo num Word estéril, falando com as paredes, salvando a cada cinco linhas com medo das quedas de energia. No começo, deixava MSN, e-mail, tudo aberto. (...) Resolvido. Hoje vou para uma lan house, postar em paredes."   ‘O Colapso dos Bibelôs’ Índigo, ed. Moderna, 2008

Lucas Pretti, de O Estado de S. Paulo,

01 Junho 2009 | 15h26

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