Editores temem disseminaçao da pirataria na web

"O grande ponto negativo da internet, no que diz respeito aos livros, é a possibilidade de que pessoas utilizem a rede para praticar a pirataria, violando direitos autorais e desestimulando a criação intelectual e artística." A afirmação do diretor-geral da editora Objetiva, Roberto Feith, resume a opinião do setor sobre a disponibilização de obras não autorizadas na rede mundial de computadores. Em contrapartida, o presidente do projeto Creative Commons no Brasil e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ronaldo Lemos, aponta que "a pirataria é um termo que foi apropriado pela indústria do conteúdo, utilizado especialmente como forma de conseguir mais proteção sobre o seu modelo de negócios". Quem nos exemplifica essa outra posição é o escritor inglês Matt Mason, autor de ‘The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Reinvented Capitalism’ (o dilema dos piratas: como a cultura jovem reinventou o capitalismo). "Quando surgiu o fonógrafo, os músicos, que ganhavam dinheiro tocando ao vivo, o viram como uma espécie de pirataria", afirma. "Eles achavam que perderiam o seu ganha-pão com essa nova tecnologia." O tempo mostrou que eles estavam errados. Quase 141 anos depois da invenção do fonógrafo por Thomas Edison, a venda de música gravada é de grande importância para as gravadoras, assim como as apresentações ao vivo para os cantores. O livro de Matt Mason, publicado pela Penguin, está disponível para download gratuito no site thepiratesdilemma.com. Mas é possível então concorrer com a "pirataria"? "A única maneira de combatê-la é fazer um bom produto com um preço justo", afirma o francês Patrick Osinski, diretor geral da Plugme, selo de audiobooks, que cita como um exemplo bem-sucedido a loja virtual da Apple, a iTunes Store.

Bruno Galo,

11 Agosto 2008 | 00h00

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