Egípcios iniciam votação de Constituição sem consenso

Os egípcios fizeram fila para votar neste sábado em uma Constituição promovida pelos apoiadores islâmicos como um caminho para sair de uma prolongada crise política, mas rejeitada por seus opositores que a veem como destino para novas divisões na maior nação do mundo árabe.

TAMIM ELYAN E MARWA AWAD, Reuters

15 Dezembro 2012 | 10h05

Soldados juntaram-se à polícia para dar segurança ao processo do referendo depois de protestos violentos. Manifestações de rua irromperam novamente na sexta-feira em Alexandria, segunda cidade do Egito, mas a votação ocorreu tranquilamente por lá, sem relatos de violência em outros lugares.

Presidente Mohamed Mursi provocou manifestações de raiva quando ele emitiu um decreto no mês passado expandir seus poderes e depois acelerando o projeto da Constituição através de uma assembleia dominada por seu grupo Irmandade Muçulmana e seus aliados. Pelo menos oito pessoas foram mortas em confrontos na semana passada em frente ao palácio presidencial.

A oposição liberal, secular e Cristã diz que a Constituição é demasiada islâmica e esmaga os direitos das minorias. Partidários de Mursi dizem que a Carta é necessária caso se queira progredir para uma democracia quase dois anos após a queda do ditador apoiado pelos militares, Hosni Mubarak.

"Os xeques (pregadores) nos disse para dizer 'sim' e eu li a constituição e eu gostei", disse Adel Imam, de 53 anos, que estava na fila para votar em um subúrbio do Cairo. "A autoridade do presidente é menor do que antes. Ele não pode ser um ditador."

O político da oposição e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, escreveu no Twitter: "Aprovação (a) projeto de Constituição que leva à divisão viola os valores universais e liberdades é uma maneira de institucionalizar a instabilidade e turbulência."

Os resultados oficiais não serão divulgados antes da realização de um segundo turno de votação no próximo sábado. Mas os resultados parciais e dados não-oficiais devem aparecer logo após a primeira rodada, dando uma idéia da tendência global.

Para passar, a Constituição deve ser aprovada por mais de 50 por cento dos eleitores que votaram. Um pouco mais da metade do eleitorado do Egito de 51 milhões estão aptos a votar no primeiro turno no Cairo e em outras cidades.

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