Ela já chegou fermentando

A cerveja, bebida mais popular do País, foi tema de quatro degustações, duas harmonizações, uma aula e uma palestra.

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2014 | 02h08

Mas a comprovação do crescimento da importância da cerveja na gastronomia estava mesmo na festa de encerramento do evento - um coquetel para os palestrantes, chefs e equipes de produção e redação: pela primeira vez, teve cerveja nesta festa. E ela foi disputada.

Uma grande caixa com gelo, ao lado do bar, parecia pescaria de festa junina. Cada um que passava por ali enfiava o braço no gelo para pescar garrafinhas de Cacau IPA e Trippel Monfort (da Bodebrown de Samuel Cavalcanti que deu uma palestra no começo da tarde do domingo), Gordelícias e La Sorcières (da Urbana de André Cancegliero, que, ao lado de David Michelsohn, da Júpiter, comandou a degustação Cerveja Brasileira Hoje e a oficina Vamos Fazer Cerveja em Casa).

No sábado, na degustação belgo-mineira, José Felipe Pedras prometeu: "As cervejas artesanais vão aterrorizar as grandes cervejarias".

Cancegliero e Michelsohn desenharam o cenário cervejeiro atual, em que se destacam as chamadas cervejarias ciganas - sem fábrica própria, produzem em outras cervejarias. Na prova, apenas cervejas feitas dessa maneira - como as da Júpiter, da Urbana, a Cafuza, da Serra das Três Pontas, e da curitibana DUM.

Dono de uma cervejaria escola, Samuel Cavalcanti, da Bodebrown, que foi falar sobre a revolução cervejeira, relembrou momentos do início de sua trajetória, como a criação da primeira imperial IPA feita no Brasil, que inicialmente foi batizada de Venenosa, mas teve de mudar de nome por questões legais e virou a Perigosa. Cavalcanti ensina a fazer cerveja e disse acreditar mais no ensino da tradição cervejeira do que na criação de uma nova escola de estilos - aos moldes das tradicionais escolas cervejeiras.

E foram elas, as escolas tradicionais alemã, belga e inglesa que guiaram a degustação O que você Precisa Saber para Começar a Gostar de Cerveja, comandada por Alexandre Bazzo. "Os estilos de cerveja vangloriam o passado e põem ordem no presente. Eles nascem de forma espontânea e determinam os rótulos", disse o cervejeiro que traçou o mapa das cervejas mais conhecidas do mundo, mesclando rótulos produzidos no Brasil seguindo a cartilha tradicional a exemplares vindos dos países cervejeiros. Bazzo deixou os participantes vidrados - foi difícil tirar as pessoas da sala ao fim da prova.

Por fim, em uma das sete cozinhas do evento, 3 cervejeiros e 30 aprendizes ficaram às voltas com o panelão de malte na oficina Vamos Fazer Cerveja. Ficou claro que os participantes estavam ali para pôr em prática mesmo os ensinamentos do trio Cancegliero (Urbana), Michelsohn (Júpiter) e Victor Pereira Marinho, mestre cervejeiro que trabalha para várias microcervejarias. Para que eles não se frustrassem logo na primeira tentativa, deram um conselho: evitar estilos que parecem simples, como a pilsen. Ela é muito mais complicada de ser feita. Para começar, sugeriram uma india pale ale, receita mais certeira.

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