Em 1999, sede da Renascer foi lacrada por causa do teto

Na época, laudo dizia que uma das vigas da igreja estava 'corrompida por cupim'

Andrea Vialli, de O Estado de S. Paulo,

19 Janeiro 2009 | 07h40

O teto do templo da Igreja Renascer em Cristo da Avenida Lins de Vasconcellos, no Cambuci, zona sul, já apresentava problemas há dez anos. Em junho de 1999, a igreja foi lacrada pelo Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru) porque os religiosos haviam desobedecido à instrução do órgão de desocupar o imóvel.   Veja também Casal Hernandes divulga nota sobre desabamento Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas     O prédio foi interditado por apresentar problemas justamente nas vigas do telhado, conforme revelou um laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), emitido em fevereiro de 1999. O laudo descrevia que "uma das tesouras (estrutura de madeira que dá sustentação ao teto) está corrompida por cupim."   Na ocasião, o fundador da Igreja Renascer em Cristo, Estevam Hernandes, disse que a igreja já havia colocado andaimes para escorar a estrutura do templo, como recomendava o laudo do IPT, e que "as providências tomadas já eliminam os riscos apontados pelo instituto", disse Hernandes à época.   Os líderes da igreja também divergiram do laudo do IPT quanto à capacidade do templo: afirmaram que a unidade da Lins tinha capacidade para abrigar 1.908 pessoas, quando, segundo o IPT, o limite seria de 1,1 mil pessoas.   Como os cultos religiosos prosseguiram apesar das recomendações do IPT de desocupar o imóvel, o Contru interditou o templo em junho de 1999.   Durante um período de 20 dias, os fiéis da Renascer em Cristo tiveram de celebrar os cultos em uma tenda armada em um terreno nos fundos da igreja, na Rua Robertson. Uma das reuniões chegou a atrair 1,5 mil fiéis, e provocou reclamações dos moradores por causa do barulho do culto.   Universal   O desabamento do teto da igreja Renascer no Cambuci foi semelhante a outro incidente ocorrido em 1998, quando veio abaixo o teto de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, em Osasco. Na madrugada do dia 5 de setembro daquele ano, cerca de 1,5 mil fiéis oravam, reunidos numa vigília, quando houve um estrondo. Logo em seguida, placas do forro do teto caíram sobre as pessoas, antes de a estrutura do teto desabar.   Na ocasião, 25 pessoas morreram e outras 400 ficaram feridas. O laudo feito pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil apontou que o prédio, que já tinha mais de 50 anos, estava em desacordo com as normas técnicas de uso de edificações e era inadequado para abrigar uma igreja.   Segundo o laudo de 38 folhas e 122 fotografias, o madeiramento do telhado estava visivelmente podre por causa de falhas na manutenção e na conservação da estrutura. O relatório apontou que falhas na vistoria do prédio e faltavam itens de segurança, como luzes de emergência e saídas desobstruídas.   A polícia indiciou oito pessoas pela tragédia - entre eles, o bispo Reinaldo Suíço, responsável pelo culto naquele dia; o pastor José Carlos da França engenheiro-chefe da Universal, Luiz Carlos Carneiro de Fonseca, responsável pela fiscalização de todos os templos da Igreja Universal. A maioria das vítimas morreu por causa de politraumatismos.   Em São Paulo, todos os templos religiosos precisam apresentar um laudo técnico, assinado por um engenheiro civil e por um engenheiro elétrico, que ateste as boas condições do prédio para receber o alvará de funcionamento.   No domingo, fiéis que participaram dos cultos, mas não quiseram se identificar, contaram que o teto do templo tinha manchas de infiltração de água.

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