Why Not Productions
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Em 'Os Fantasmas de Ismael', Desplechin talvez queira lançar o público numa vertigem

São vários filmes num só. Demasiados. Algumas coisas não fazem muito sentido.

O Estado de S.Paulo

17 Maio 2017 | 10h34

Havia gente, no final da sessão de Os Fantasmas de Ismael, se perguntando – 'What a fuck...?' O que significa esse novo filme de Arnaud Desplechin, escolhido para inaugurar o 70º Festival de Cannes?

O brilho do tapete vermelho está garantido, graças ao elenco de sonho que o diretor – um dos autores mais representativos do cinema francês – conseguiu reunir. Marion Cotillard, que tem um nu frontal belíssimo – poderosa! -, Louis Garrel, Mathieu Amalric e Charlotte Gainsbourg, todos figurinhas carimbadas na Croisettte. Mas o filme é desconcertante, para se dzer o mínimo.

Como em todo Desplechin, há um personagem chamado Dedalus (e outro, Bloom - cortesias de um certo Joyce). Dedalus é agora Ivan/Garrel, metido numa trama de espionagem da qual não entende nada.

Amalric faz um diretor metido num novo filme, e também não entende nada do mundo à sua volta, muito menos como e por que a mulher, que sumiu há mais de 20 anos e foi declarada morta, está de volta. Marion Cotillard é quem faz o papel e, não por acaso, chama-se Charlota, como Kim Novak em Um Corpo Que Cai.

Como na obra-prima de Alfred Hitchcock, Desplechin talvez queira lançar o público numa vertigem. São vários filmes num só. Demasiados. Algumas coisas não fazem muito sentido. A narrativa atropela-se – pode ser o efeito da compressão. A versão exibida em Cannes é a do produtor.

Tem 20 minutos menos que a do diretor, que está estreando nesta quarta, 17, em apenas uma sala de Paris. Tapete vermelho à parte, Cannes já foi mais feliz com Desplechin, em obras anteriores.

O próprio autor sabe disso. Na coletiva, citou François Truffaut, que dizia a Cathereine Deneuve - "Já que não vamos fazer uma obra-prima, façamos pelo menos um filme vivo." Nem isso, Arnaud, nem isso.

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