Em SP, movimento barra novas hidrelétricas em rio

Ambientalistas e moradores de Piraju, no sudoeste paulista, barraram a construção de hidrelétricas no trecho do Rio Paranapanema, que corta o município. Um projeto suspendia o tombamento de 7 quilômetros do rio repleto de corredeiras, o único ainda não afetado pela construção de barragens. Pressionado pela mobilização popular, o autor, vereador Rubens Alves de Lima (PMDB), retirou o projeto da pauta da Câmara no dia 5.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agência Estado

12 Dezembro 2012 | 10h26

Outros projetos que alteravam o plano diretor do município e a lei que instituiu o Parque Municipal do Dourado, tornando intocáveis as margens do rio, também foram retirados de pauta. Duas empresas haviam apresentado projetos para construir Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) nesse trecho do rio, próximo da cidade.

Para os ambientalistas, as intervenções mudariam o regime de águas, matando espécies de peixes como dourado e piracanjuba. De acordo com o biólogo Fernando Franco Amorim, presidente da Organização Ambiental Teyquê-Pê, o represamento do Paranapanema em outros pontos implicou drástica redução no número de espécies.

No trecho tombado, as corredeiras formam ambiente ideal para canoagem, utilizada até por atletas olímpicos. Nas margens, foram encontrados sítios arqueológicos de 8 mil anos.

"A retirada dos projetos é uma vitória, mas devemos continuar mobilizados, pois o interesse das empresas de energia persiste", disse Amorim. Segundo ele, Piraju é uma das cidades que mais têm hidrelétricas em seu território. São quatro usinas de médio e grande porte.

Em toda a extensão de 929 quilômetros do rio, que nasce em Ribeirão Grande e deságua no Paraná, em Rosana, foram construídas dez hidrelétricas - a primeira, em 1905, foi feita em Piraju. A cidade recebeu iluminação pública dois anos antes que a então capital federal, o Rio. O Paranapanema responde por 5% da produção de energia hidrelétrica no Brasil. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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