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Empresário pró-UE vence na Ucrânia

Andrei Netto - Enviado Especial - O Estado de S. Paulo

25 Maio 2014 | 14h 28

Eleição presidencial é considerada limpa por ONGs internacionais, mas tem boicote e abstenção maior em áreas separatistas do leste

Atualizada às 22h54

DONETSK, UCRÂNIA - Com uma abstenção de 20% dos 35,5 milhões de eleitores aptos a votar, ucranianos foram às urnas neste domingo, 25, eleger o novo presidente do país, três meses depois da deposição do líder pró-Rússia Viktor Yanukovich. Pesquisas de boca de urna indicavam o empresário Petro Poroshenko como o vencedor ainda em primeiro turno. Em regiões separatistas do leste, a votação foi proibida, mas eleitores desafiaram milícias pró-Moscou em áreas periféricas.

Favorito nas pesquisas de boca de urna, com 55,9% das intenções de voto - o que deve lhe dar a vitória no primeiro turno -, o bilionário Petro Poroshenko prometeu levar a estabilidade também ao leste. "Nós temos de garantir os direitos e a segurança à população que vive em Donbass (região de Donetsk), que hoje está sofrendo com terroristas que querem transformar a região na Somália", disse.

Em Kiev, o primeiro-ministro interino, Arseni Yatseniuk, acusou a Rússia de fomentar os grupos separatistas do leste para tentar esvaziar o pleito - o que, segundo ele, não teria acontecido. "Os esforços feitos pela Rússia e pelos terroristas que ela financia para descarrilar as eleições estão fadados a fracassar", disse. "Nós vamos ter um chefe de Estado legítimo."

A ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko, líder da Revolução Laranja, em 2004, e perseguida por Yanukovich, indicou que aceitará a derrota nas urnas. "Não haverá contagem paralela dos votos", informou o líder de seu partido no Parlamento, Serhi Sobolev. "Nós checamos os números com os divulgados pela Comissão Eleitoral Central (CEC) e as diferenças não são sérias."

Boicote. Em razão da tensão militar e da ação de milicianos, em Donetsk as poucas seções eleitorais que tentaram abrir as portas no início da manhã foram fechadas. "Se houvesse seções abertas eu votaria em branco", afirmou o comerciário Vladimir F. "Todos os candidatos são ladrões."

Em cidades de periferia no leste, como Volnovaha, Mariupol, Bobropolye, Aleksandrovka e Krasnoarmeysk, algumas seções abriram as portas, permitindo que cerca de 16% dos eleitores pudessem votar, informou a ONG Opora, que verificou a lisura da eleição. No total, dois dos 12 distritos eleitorais das regiões de Luhansk e sete dos 22 de Donetsk receberam eleitores, o que representa 426 das 2,4 mil urnas previstas.

No conjunto do país, ainda segundo a ONG, 45% dos ucranianos haviam votado até as 17 horas - três horas antes do fim do prazo. A maior frequência aconteceu no oeste, nas regiões pró-Europa de Kiev e Lviv, onde 52% da população havia comparecido no mesmo horário. Os resultados parciais indicavam um recorde de afluência de eleitores. Já no sul e no leste, onde a presença de russos étnicos é maior, 37% dos inscritos votaram.

Os maiores problemas foram verificados nas capitais das duas regiões separatistas, onde a ação de milícias impediu a votação. De acordo com a Opora, 16 casos menores de fraudes foram identificados no país, em especial em Kharkiv, Rivne, Odessa e Dnipropetrovsk. O resultado final da eleição deve ser divulgado nesta segunda.