Enfim, só

Você encara a geladeira e ela olha de volta, como se perguntasse: "O que quer que eu faça? Me abasteça de vez em quando!" Os recursos são escassos e a fome, grande. As prateleiras do armário só devolvem a escuridão. Se nessa caçada você encontrou alguns ovos ou um resto de linguiça na geladeira, está salvo.

O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2010 | 03h37

Momentos como esse não povoam apenas as noites insones. São a realidade de muitas pessoas que moram sozinhas. Na Região Metropolitana de São Paulo, 12,5% da população vive só, segundo o IBGE.

Enquanto se mora com a família, a cozinha parece um território a ser explorado no futuro, ou quem sabe em casos de emergência. Morar sozinho é outra história. Os solteiros, divorciados ou viúvos sabem bem o que é estar faminto e precisar cozinhar.

Nessas horas, qualquer arranjo gastronômico vai bem: uma salada simples, temperada com azeite e sal, ou um resto de feijão cozido no início da semana. A fome do solteiro morre com uma refeição mediana. Tática de guerrilha.

Só que uma nova leva de solteiros está surgindo, os do tipo gourmet, que gostam de comer com capricho. Sua cozinha vira extensão do quarto. O supermercado e a feira livre se transformam nos seus dois melhores amigos. Panelas e facas, em suas confidentes. Podem passar horas na frente das prateleiras do supermercado, namorando ingredientes que não conhecem e outras tantas na frente do fogão, testando-os.

O Paladar conversou com solteiros capazes de transformar pratos coletivos em versões para um. Assim, a feijoada vira receita individual. A codorna assada surge como substituta do franguinho dominical. E o bolo grande ganha uma versão individual. Ninguém perde o apetite só porque está sozinho.

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