Espanhola Airis quer montar DVDs e MP3 no Brasil

A espanhola Infinity, dona da marca Airis de equipamentos de informática, áudio e vídeo e sistemas de navegação (GPS), está comendo o mercado brasileiro pelas bordas. A companhia estreou no País em agosto de 2006, trazendo tocadores de música MP3 e MP4, DVDs convencionais e para veículos e minisystens que reproduzem DVDs. Em menos de seis meses atingiu no País a liderança no mercado de sistemas de navegação em português. Agora se prepara para uma nova investida. Em março, a empresa vai começar a montar em Manaus (AM) notebooks, PCs, MP3, MP4, DVDs numa indústria terceirizada. ?O mercado brasileiro é extremamente importante para nós porque o ritmo de adoção de tecnologia é muito rápido?, afirma o vice-presidente para a América Latina da Infinity System, Ricardo Kamel. Os investimentos no País já somam US$ 10 milhões. A empresa teve na Espanha crescimento exponencial. Nasceu em 1995, a partir da iniciativa de um ex-engenheiro da Alcatel,José Vicente Molera Picazo, hoje com 39 anos, que havia sido contratado para trabalhar nos laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa. Depois de várias viagens para a Ásia, paralelamente à sua ocupação principal, começou a montar e a vender computadores aos companheiros de trabalho, a partir dos componentes trazidos do outro lado do mundo. O sucesso foi tamanho que ele decidiu ter o próprio negócio e abrir a primeira loja em 1992, junto com o irmão Fernando Molera Picazo, atualmente com 35 anos de idade. O negócio dos dois jovens empreendedores prosperou rapidamente. Em pouco tempo eles abriram cinco lojas na Espanha, que faturavam 2,4 milhões por ano. Kamel conta que o passo seguinte foi atacar o mercado corporativo e tornar-se um distribuidor de PCs e notebooks, com lançamento da sua própria marca, a Airis. Em 2002, essa companhia emergente alcançou o primeiro lugar em vendas de notebooks na Espanha, ultrapassando gigantes como HP e Toshiba, conta Kamel. Nesse ano, o faturamento atingiu 80 milhões. No ano passado, as vendas mundiais somaram 530 milhões. Diante da ofensiva da concorrência das gigantes como HP e Toshiba, que começaram a reduzir preços do notebooks, a saída encontrada pelos empreendedores foi diversificar o negócio.Atualmente, a empresa é líder na Espanha em equipamentos de GPS, câmeras digitais, DVDs para carros e conversores para TV digital. A Infinity é um exemplo de um novo modelo de negócio cada vez mais comum no mundo globalizado. A empresa não tem fábricas, embora seja a responsável por uma gama enorme de produtos. ?Temos um centro de desenvolvimento de produtos na Espanha e mandamos fazer os componentes em Taiwan e na China?, diz Kamel. Nas indústrias terceirizadas no continente asiático, onde os custos de produção são infinitamente menores do que no mundo ocidental, a empresa se abastece de partes, peças e componentes e monta esses equipamentos nos centros de distribuição localizados na Espanha, Dinamarca e Holanda. O gigantismo e a ambição da marca, presente em mais de 20 países, não pode ser medido pelo número de funcionários. No mundo, são 600 empregados diretos e, no Brasil, apenas 14. Na prática, o que acaba contando no negócio são as boas idéias e a melhor relação entre o custo e a tecnologia em eletrônicos. Aliás, esse é o principal objetivo da companhia, ressalta o vice-presidente. O outro diferencial para a atacar concorrentes de peso, com marcas consolidadas no País, é a prestação de serviços. Kamel diz que a maior fatia dos US$ 10 milhões investidos na filial brasileira foi destinada à consolidação da assistência técnica e no atendimento eficiente do cliente. Em cinco meses de atividade no País, a marca dispõe de mais de 800 pontos de assistência técnica. A estratégia se justifica. Num mundo cada vez mais com itens eletrônicos padronizados, o diferencial das marcas aparece na prestação de serviços. Para escapar dos olhos da concorrência, Kamel não fala em metas. Só diz que terá aqui cinco configurações de notebooks.

Agencia Estado,

17 Janeiro 2007 | 10h41

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