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Especialistas em produção de feno

José Maria Tomazela - O Estado de S.Paulo

26 Maio 2010 | 02h 20

Propriedades cultivam apenas gramíneas próprias para fazer o volumoso e tratam área[br]plantada com esmero

Cresce o número de propriedades especializadas na produção de feno no interior de São Paulo e no sul de Minas Gerais. As gramíneas usadas para produzir o volumoso recebem a mesma atenção dada às lavouras nobres, como trigo, algodão e soja. Os cuidados começam com a correção do solo, passam pela adubação, controle de pragas e vão até o armazenamento da produção em ambientes com luz e umidade controladas. Muitas áreas de cultivo do capim já utilizam a irrigação.

A produção do volumoso como atividade fim da fazenda é um fenômeno recente em São Paulo, explica o agrônomo Rodolfo Warto Cyrineu, da empresa de consultoria Suporte Rural. "O feno sempre foi tratado como um produto ocasional, resultante da colheita de áreas de pastagem não utilizadas, ou rotação em cultura de grãos."

Mercado aquecido. De quatro anos para cá, a retomada da criação de cavalos de raça e dos leilões de gado de elite aqueceram o mercado do capim. "O dono da terra passou a ver no feno uma boa opção econômica." Ele estima entre 100 e 150 produtores apenas nas regiões de Avaré, Sorocaba e Amparo.

São produtores que se dedicam só a isso, com estruturas e maquinários próprios. É o caso da Fazenda Sombra da Mata, em Porto Feliz, cujos proprietários trocaram a criação de gado pelo feno. Os 80 hectares estão cultivados com os capins coastcross e jiggs. No ano passado, a produção foi de 1.100 fardos de 12 quilos por hectare, considerada baixa pela proprietária Kátia Tortorella. "Temos potencial para produzir o dobro", afirmou. Com a assessoria do agrônomo, ela iniciou um processo de recuperação do solo, que ficou desgastado pela retirada contínua da massa verde.

Fertilidade. Cyrineu explica que na produção de feno a extração de nutrientes do solo é muito elevada. "Em poucos anos de exploração a fertilidade do solo se esgota ou fica desbalanceada, se não houver a reposição desses nutrientes." Na fazenda, ele cruzou o resultado de análises de solo com as foliares e fez a correção dos elementos que estavam em níveis críticos. O resultado foi um ganho expressivo de produção nos últimos cortes. "Agora fazemos adubação de manutenção."

As instalações da fazenda foram planejadas em função do feno. O galpão de armazenamento, com capacidade para 60 mil fardos, tem luz e ventilação natural para manter a umidade dos fardos abaixo de 16%.

A fazenda tem maquinário e frota própria para entregas. Este ano, o maior problema foi o excesso de chuvas, segundo o gerente de produção Jovaldo Rodrigues Alves. No campo, ele acompanha o trabalho das máquinas e o movimento das nuvens no céu.

O capim é cortado em dia de sol para que as folhas desidratem e possam ser enfardadas no dia seguinte. "Se chove, a produção se perde."

Se o tempo chuvoso não permite o corte, o risco é o capim passar do ponto e perder a quantidade ideal de nutrientes. "Aqui, esse feno não vai para o mercado. A gente faz o corte e descarta." Também a incidência de pragas e de ervas invasoras é maior. O controle é feito com máquinas. Por causa disso, a produção da fazenda este ano foi menor.

A Sombra da Mata vai garantir o atendimento da clientela fixa, que compra o ano todo pagando o mesmo preço. O produto fica armazenado e é entregue na medida do consumo do comprador.

Cavalos de raça. Os clientes são principalmente criadores de cavalos de raça. A propriedade, na Rodovia Castelo Branco, está no centro de uma região com quase 2 mil haras. A proprietária diz que estão surgindo novos compradores - os selecionadores de gado de elite. "É um mercado interessante. Os animais de exposição ou exportação acabam sendo grandes consumidores."

A Fazenda Água da Prata, em Ourinhos, uma das pioneiras em São Paulo, destina 225 hectares ao cultivo e está entre as maiores produtoras no Brasil. O proprietário Flávio Gaviolli diz que faz entregas no Estado todo e no Paraná. Na semana passada, o fardo com 12 quilos estava cotado em R$ 4.

De acordo com Gaviolli, as chuvas atrapalharam a produção. Como não foi possível cortar na época certa, um dos cortes precisou ser descartado, elevando o custo. Na região, o período chuvoso beneficiou as pastagens convencionais, reduzindo a procura pelo feno.

Retorno. O empresário paulistano Francisco Penteado Cardoso, que já produziu feno e parou há 20 anos, decidiu voltar à atividade. Na semana passada, ele procurava uma fazenda para comprar na região mineira de Uberaba. "Tem de ser uma área compatível com a lavoura de soja. No terreno onde entra a máquina de colher grão também entram os equipamentos do feno." O plano de Cardoso é produzir 140 mil fardos por ano.

Além das gramíneas jiggs, coastcross e tifton, ele pretende introduzir faixas de leguminosas para misturar ao capim e aumentar o teor de proteína do feno. Economista, o produtor calcula que em três anos pode amortizar o investimento inicial, que é elevado. O custo para formar as áreas de produção fica em torno de R$ 1.700 por hectare.

A escolha da região levou em conta a alta densidade de gado de elite no Triângulo Mineiro. "Aqui está o grande mercado do gado fino."

Para entender

1.

Classificação

A Embrapa Gado de Leite classifica os fenos em tipos A, B e C, conforme o teor de umidade, o porcentual de proteína bruta e de fibra.

2.

Preços

O produto tem preço menor no verão e início de outono, quando a época

favorece o crescimento

das pastagens.

3.

Demanda

A demanda cai no verão/início de outono, pois nesta época há sobra de forragem.

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