Espuma, jacaré e vanguarda

País quase estático na gastronomia, com variações em torno das carnes grelhadas, a Argentina tem um grupo de novos chefs atrevidos atuando em Buenos Aires. Eles não ganharam a Copa, mas estão bem na cozinha

Luiz Horta, BUENOS AIRES,

22 Julho 2010 | 09h26

Delícia local.  Na nova Buenos Aires gastronômica, um dos pratos de sucesso entre o público é o carpaccio de lhama

 

 

Já viu o Obelisco, vitrinou segurando a carteira pela Calle Florida e comeu seu dulce de leche? Então já pode investigar outros cenários portenhos. Foi o que fiz. Queria descobrir vinhos diferentes num contexto menos acanhado que a segurança dos endereços que visito sempre.

 

Claro que estive nos favoritos e infalíveis lugares "de toda la vida", como dizem lá. Comi o gigantesco vacío perfeito e as mollejas macias do Desnivel; disse "hola que tal" para a milanesa com papas fritas do Hermann e prestei as devidas homenagens à mãe de todos os clássicos: a fugazzetta inimitável com faina do El Cuartito. E parti para a aventura. A ambição e foco era conhecer a movida gastronômica, e sobretudo vinífera, da Swinging Buenos Aires. Não fiquei decepcionado: a dupla de bairros Palermo-San Telmo está no auge, embora distantes. Vale a ponte aérea de táxi (barato) entre os dois.

 

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Antes, a Buenos Aires gastronômica se limitava a carnes, ou melhor, às inúmeras (e boas) variações de parrilla, com seus bifes de chorizo, mollejas e chinchulines.

 

Em poucos anos aconteceu este espanto: poder fazer um roteiro de gastronomia contemporânea portenha, com lugares tão cutting edge quanto a Vinería Gualterio Bolívar ou tão refinados quanto o extraordinário restaurante dedicado exclusivamente a carnes exóticas El Baqueano. Há até uma versão local da moda de abrir a casa para poucos comensais, comum em Paris e Nova York. Em Buenos Aires, é a Casa Coupage.

 

 

Garrafão especial. Atualmente, os restaurantes passaram a elaborar suas adegas com cuidado, refletindo o bom momento da indústria do vinho na Argentina

 

 

 

Mas o melhor é a ênfase nas cartas de vinho. Longe o tempo em que o vinho da casa vinha num garrafão acompanhado por um sifão para diluir o líquido com água gasosa. Os restaurantes passaram a elaborar suas adegas com cuidado, refletindo o bom momento da indústria do vinho na Argentina. Há grande oferta em taça e montagem de cardápios em que a bebida passa de coadjuvante a protagonista, com menus harmonizados e sommeliers quase sempre muito bem treinados. Comer fora em Buenos Aires não é mais o tango compulsório dançado entre carne e Malbec.

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