Estado vai dobrar atendimento a casais inférteis

Hospital Pérola Byington, de São Paulo, amplia Centro de Reprodução Humana e passará a oferecer 600 procedimentos de fertilizações por ano

ALEXANDRE GONÇALVES, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h05

O Hospital Estadual Pérola Byington vai abrir hoje novas instalações do Centro de Reprodução Humana da unidade. Segundo o diretor-geral do hospital, Luiz Henrique Gebrin, será possível dobrar o número de fertilizações gratuitas realizadas anualmente.

"Atualmente, são 300 procedimentos todos os anos", aponta. "Com a reforma, será possível chegar a 600, mas dependemos da continuidade dos recursos para comprar os medicamentos."

Segundo Gebrin, é necessário R$ 1,5 milhão por ano para manter o sistema funcionando. O governo estadual investiu R$ 4,5 milhões em reformas e compras para o hospital, que também incluíram a construção de novas instalações para o Centro de Diagnósticos em Mama.

Gebrin estima que as taxas de sucesso de gravidez na instituição vão alcançar 30%, porcentual semelhante ao de boas clínicas privadas de fertilização. "Um porcentual inferior tornaria inviável a utilização da técnica na sistema público", afirma.

A ideia, segundo ele, é utilizar o serviço para capacitar profissionais que realizem o procedimentos em outros locais do País. O Pérola Byington acolhe pessoas de todo o País - e até de outros países da América Latina - para procedimentos de fertilização in vitro e injeção intracitoplasmática de espermatozoide.

O hospital sugeriu à Secretaria de Estado da Saúde a criação de uma lista de espera única para os procedimentos de reprodução assistida. Seria algo semelhante à lista para transplantes. Dessa forma, as pessoas não escolheriam os hospitais onde realizariam os procedimentos, mas a própria secretaria distribuiria as pessoas segundo a oferta de serviços. "Evitaríamos a sobrecarga em um único serviço."

O coordenador médico do Laboratório de Reprodução Humana do Hospital Sírio Libanês, Carlos Alberto Petta, elogia os investimentos do Estado, mas afirma que o esforço ainda está aquém da demanda da população. "Em um cálculo simples, podemos dizer que 4% das mulheres têm problemas para engravidar. Dessas, 800 mil vão precisar de técnicas de reprodução assistida", afirma Petta. "Quantas, no País, podem arcar com os custos de um procedimento na rede privada, que alcança R$ 20 mil?"

Adriana Eulália Ramos ingressou com 29 anos no tratamento para engravidar do Hospital Pérola Byington. Foram nove anos de espera e tentativas. Na primeira vez, implantou apenas um embrião, sem sucesso. Na segunda tentativa, foram quatro. Um deles deu certo e nasceu Chiara, que hoje tem 2 anos. "Eu já estava ingressando na fase em que é mais difícil que o procedimento funcione", conta Adriana.

Mama. Segundo o governo, a ampliação do Centro de Diagnósticos em Mama do Pérola Byington permitirá atender mais de cem novos casos suspeitos de câncer de mama por dia, com resultados no mesmo dia e início do tratamento em, no máximo, 30 dias. "Atualmente, entre o diagnóstico e o início do tratamento, costumam passar quatro meses", afirma Gebrin. "Muitas vezes, isso compromete o sucesso do tratamento."

A ideia é que o centro também seja um modelo para outros serviços semelhantes no País e treine médicos e profissionais da saúde para atuar no tratamento de tumores de mama.

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