Fernando Sciarra/Estadão
Fernando Sciarra/Estadão

Estas irmãs têm alma de chocolate

"Tínhamos que ser nada menos que as melhores", diz Bibiana Schneider, sempre no plural, sobre o que passava na cabeça dela e da irmã, Carolina, quando abriram a Cuore di Cacao. Bibiana e Carolina fazem tudo juntas: viajam, vão ao bar, saem para jantar e, principalmente, produzem chocolates excepcionais. Foram elas que puseram Curitiba no mapa chocolateiro do Brasil quando, há dez anos, a serem completos em março, inauguraram sua loja.

José Orenstein, O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2014 | 02h12

Os chocolates de Bibiana e Carolina fizeram-se conhecidos além dos limites paranaenses. O salto maior foi em 2007, quando a Cuore di Cacao foi a primeira chocolataria brasileira a participar do Salon du Chocolat de Paris, mais importante evento do ramo profissional de quem fabrica, come e vive o chocolate.

"Ali entendemos o mundo do chocolate - e entendemos quem somos nós mesmas", diz Carolina. Elas levaram algumas de suas criações: bombons de café, maracujá, coco.

Se você nunca comeu um bombom da Cuore di Cacao e ao ler sobre bombons de café, maracujá, coco, pensa numa exageradamente doce, esquisita e desconjuntada combinação, é favor provar o produto do trabalho de Carolina e Bibiana. É coisa fina. Afinal, elas tinham que ser mesmo as melhores. (Se não estiver na capital paranaense para entrar em uma das duas lojas da Cuore di Cacao e ter as narinas invadidas pelo cheiro de chocolate, pode encomendar pelo site cuoredicacaochocolateria.com.br.)

Carolina é quem põe a mão na massa: ela executa as receitas que bola com a irmã. Bibiana, então, pensa nos desenhos delicados que vão sobre os bombons, e cuida de toda a parte visual. Foi ela que, depois de estágios na França, começou a fazer chocolates por encomenda, em Curitiba. A demanda foi aumentando e ela chamou a irmã, formada em belas artes, para ajudar. Nascia a Cuore di Cacao. Carolina tinha então 22 anos e Bibiana, 23.

De lá para cá elas surfaram as modas do chocolate com 50%, 60%, 70% de cacau, do chocolate de origem (da Tanzânia, Guatemala, Venezuela) e agora fazem chocolate com matéria-prima totalmente brasileira.

"A evolução foi grande. No começo tínhamos que explicar tudo para os clientes", conta Bibiana. A primeira barreira foi a do preconceito com o chocolate amargo - que ainda persiste por aí, em meio à inundação de açúcar e manteiga de cacau barata nos supermercados.

Mas aos poucos a dupla foi colonizando mentes e paladares com um chocolate de "amargor elegante", aromático, como elas definem. Doce no ponto.

Nos últimos tempos, elas têm se entusiasmado com a matéria-prima brasileira, que é usada na linha ON - de ouro negro-, lançada ano passado. Pela primeira vez, a dupla substituiu o chocolate belga e francês - usados por quase todo mundo que faz chocolate fino no Brasil - por um chocolate feito com amêndoas de cacau da Bahia, com fermentação, torrefação e refinamento controlado e determinado por elas.

"Acho que encontramos nossa identidade", diz Bibiana. Ao que Carolina assente, com um sorriso tranquilo.

Onde. R. Dr. Manoel Pedro, 673, Cabral, Curitiba, (41) 3053-4010

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