'Estou rindo para não chorar', diz Lula em Copenhague
Presidente brasileiro se reuniu com 25 líderes mundiais durante a madrugada para discutir um acordo
Desde que chegou a Copenhague, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem se reunindo com chefes de Estado para fazer avançar as negociações da 15ª Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-15), que termina nesta sexta-feira, 18. Lula e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, convocaram uma reunião com 25 dos principais líderes mundiais.
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O encontro começou após um jantar oferecido pela rainha da Dinamarca, Margarida II, e foi interrompido por uma hora em torno das 2h30, no horário local, para um texto ser elaborado - os chefes de Estado foram dormir e outros negociadores permaneceriam trabalhando. Lula retornou ao hotel aparentando bom humor e, indagado sobre a possibilidade de um acordo, esclareceu: "Estou rindo para não chorar. Vamos esperar até amanhã (sexta-feira)."
Nesta última quinta-feira à tarde, em entrevista com Sarkozy, Lula afirmou que não pretende entrar para a história como um dos que afundaram o acordo climático. "Corremos o risco de sermos fotografados como os dirigentes incompetentes que não conseguiram cuidar do planeta enquanto ainda era possível", afirmou. Depois de mais de 24 horas em reuniões, Lula confessou que o tom dos que o procuravam era de total pessimismo. "Mas acredito que possamos transformar esse pessimismo em otimismo."
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que ainda não havia nenhum resultado claro. O acordo discutido entre os líderes, diz ele, tinha como pontos limitar o aumento da temperatura em 2°C, cortar as emissões dos países desenvolvidos em 80% até 2050 e um corte médio de 50% até 2050. "Ainda não estou sem esperança de que saia um acordo", disse. Um negociador chefe argelino afirmou que o acordo caminha para ser um tratado legalmente vinculante (ou seja, com força de lei internacional).
Na noite anterior, Lula recebeu Gordon Brown e o primeiros-ministro dinamarquês, Lars Rasmussen, que foram pedir ajuda para reverter o fracasso iminente, mas também para pressionar o G77 a abrir mão de algumas posições. Ouviram de Lula que isso não seria possível se os países ricos não abrissem mão das suas posições. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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