'Eu não estava preparada para isso'

Professora trocou pelo SUS implante rompido

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2012 | 02h06

A professora Luzia Serra Brehm, de 40 anos, foi uma das primeiras mulheres a trocar as próteses de silicone pelo SUS. A cirurgia foi feita em abril no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Luzia havia colocado silicone em 2006, em decorrência de um problema na mama direita. Após amamentar, houve uma contração do tecido da mama, que retraiu. "Uma ficou bem menor do que a outra. Parecia que faltava um pedaço. Isso me incomodava muito, principalmente quando vestia biquíni ou roupa com decote. A alternativa era pôr silicone", diz.

A professora pagou R$ 1.890 pelo par de próteses da marca PIP - na época, ainda não havia suspeita de adulteração e a ela foi bem recomendada pelo médico. "Era uma marca famosa, francesa, bastante usada no Brasil."

Por cinco anos, Luzia ficou com as próteses sem sentir nada de anormal. No fim de 2011, passou a sofrer com dores e ardência na mama, que ficou hipersensível ao toque e ao mínimo esforço. Uma mamografia apontou pequenas calcificações, mas ainda não se sabia do rompimento, nem dos problemas ligados à PIP.

Em janeiro, Luzia soube pela imprensa que os silicones PIP eram adulterados. Pouco depois, chegaram os resultados de uma ressonância, apontando que uma de suas próteses estava rompida e havia linfonodos nas axilas.

"Quase enfartei quando vi as notícias e o meu exame. Não estava preparara nem financeiramente (para trocar as próteses) nem psicologicamente para passar por isso", conta.

A professora procurou seu médico, que fez o encaminhamento para cirurgia pelo SUS. Em março, ela teve um problema no trabalho e machucou o seio - o que a levou ao pronto-socorro do hospital Conceição. Recebeu indicação imediata de retirada das próteses.

"A partir daí, demorou cerca de 30 dias para a cirurgia porque tive de fazer uma série de exames pré-operatórios e o hospital teve de encomendar as próteses", conta Luzia.

A cirurgia para troca foi feita em 13 de abril. A recuperação plena demorou duas semanas. "Depois da cirurgia, a dor desapareceu, não tive mais nada. O pós-cirúrgico foi um pouco dolorido, mas retomei as atividades logo", completou. / F.B.

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