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Familiares querem que 'país neutro' analise caixa-preta do voo 447

Presidente de associação diz que não confia no BEA; 'Os corpos (das vítimas) são desprezados', reclama

01 de maio de 2011 | 17h 21
Luciana Nunes Leal - O Estado de S.Paulo

RIO - O presidente da Associação de Familiares de Vítimas do Voo 447, Nelson Faria Marinho, defendeu mais uma vez neste domingo que a caixa-preta encontrada pela agência de investigação de acidentes aéreos da França (BEA, na sigla em francês) seja analisada por um "país neutro", para garantir a ampla divulgação de todas as informações sobre os últimos momentos antes do acidente.

Pai de um dos passageiros, Nelson cobrou que, apesar da descoberta da caixa-preta, continuem as buscas por restos mortais. "A prioridade deles é somente a caixa-preta e os corpos são desprezados", criticou. Segundo Nelson, a continuação das buscas dependerá de uma decisão da Justiça francesa.

"Na última reunião com a BEA, em Paris, dissemos que a caixa-preta deveria ser analisada por um país neutro. Os Estados Unidos têm grande experiência e avançada tecnologia. Não confiamos na BEA e no governo francês. Nós pedimos em fevereiro que um representante dos parentes acompanhasse as buscas no navio, mas fomos vetados. No entanto, o trabalho é acompanhado por representantes da Air France e da Airbus (fabricante do avião acidentado)", afirmou Nelson.

O presidente da associação disse ter recebido do sindicato de pilotos franceses um documento que relata problemas de manutenção nos equipamentos dos aviões da Air France. "A caixa-preta pode trazer informações sobre isso", afirmou. Nelson ainda tem esperança de que representantes da associação sejam recebidos pela presidente Dilma Rousseff. "Não é nenhum favor nos receber", desabafou.

A agência de investigação de acidentes aéreos da França informou hoje que buscas submarinas localizaram a caixa-preta do avião da Air France. Ele caiu no Oceano Atlântico em 1º de junho de 2009, quando ia do Rio de Janeiro para Paris. Todas as 228 pessoas a bordo morreram.



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