Farmacêuticas são criticadas em evento nos EUA

Levantamento da Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDI) e da organização Médicos sem Fronteiras (MSF) mostra que só 3,8% dos remédios lançados entre 2000 e 2011 foram dirigidos para o tratamento de doenças negligenciadas - males que, embora afetem uma grande parcela da população mundial, como malária e tuberculose, despertam pouca atenção da indústria farmacêutica.

LÍGIA FORMENTI / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2012 | 02h04

Juntas, elas representam cerca de 10,5% da carga global de doenças. Os pacientes são, em sua maioria, das áreas mais pobres do mundo. O relatório indica, porém, que a situação já foi pior: de 1975 a 1999, 1,1% dos lançamentos era dirigido para tratamento dessas doenças.

"Estamos frustrados. Não podemos levar mais dez anos para encontrar soluções para uma série de desafios existentes", disse Deane Marchbein, presidente nos EUA da MSF.

"Hoje, médicos têm de dizer para pacientes com tuberculose resistente que o tratamento é demorado, pode provocar uma série de reações adversas e não há garantia total de cura. No século 21, isso não é maneira de praticar medicina", acrescentou Marchbein ontem, na abertura do simpósio Vidas em Jogo, promovido pela DNDI, MSD e pelo Programa de Saúde Global da Faculdade de Medicina Monte Sinai.

Deane listou pontos que têm de ser atendidos: tratamentos mais rápidos, com drogas mais simples, de fácil aplicação e manutenção. O tratamento padrão usado para tuberculose, por exemplo, tem 50 anos.

Da lista de doenças negligenciadas, várias são encontradas no Brasil: leishmaniose, tuberculose, mal de Chagas e malária.

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