Febre amarela pode ter matado aposentada em Goiás
Na quinta-feira, o Ministério da Saúde confirmou a primeira morte por febre amarela no DF
A aposentada Maria Geraldina Siqueira da Silva morreu na quarta-feira em Ceres, Goiás, com suspeita de febre amarela. No dia 22 de dezembro, a mulher, que residia em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, viajou para Rialma, em Goiás, para visitar parentes. Conheça os sintomas e ros riscos da febre amarela No período do Natal, Maria Geraldina passou mal e apresentou crises de diarréia e vômito. O rim inchou e parou de funcionar. A certidão de óbito atestou insuficiência renal hepática, mas a ocorrência de possíveis casos de febre amarela na região de Goiás levantaram a suspeita sobre seu quadro. As análises do caso estão sendo realizadas pelo Laboratório Central do Distrito Federal, mas os resultados ainda não estão prontos.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que ainda não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre se a aposentada faleceu mesmo por febre amarela. A Vigilância Epidemiológica de Mogi das Cruzes comunicou o fato à Secretaria Estadual de Saúde para que acompanhe a ocorrência para passar as informações oficiais. O corpo da Maria Geraldina foi velado em Suzano, na quinta. Laudo do macaco O macaco morto no Parque Nacional de Brasília não tinha febre amarela. O laudo do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, foi divulgado nesta sexta-feira, 11, pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Foram encontrados dois macacos mortos no Parque Nacional, mas até agora apenas um laudo foi concluído. Morte confirmada O Ministério da Saúde confirmou na quinta-feira, 10, que Graco Carvalho Abubakir, de 38 anos, morreu mesmo de febre amarela silvestre em Brasília, na terça-feira. Esse é o único caso confirmado até agora, apesar de outras seis mortes terem ocorrido com suspeita da doença. Outros três casos foram descartados: um em Goiás, outro em Minas Gerais e um em São Paulo.
Em nota divulgada na quinta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais informou que Geraldo Jaider Rocha, pecuarista de 48 anos internado no Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, não tem febre amarela. Rocha é natural de Acrelândia (AC) e, sentindo-se mal, viajou para a capital mineira, onde tem parentes, para se tratar.
Procura
A notícia de mortes por suspeita de febre amarela no Distrito Federal e a recomendação, feita por autoridades sanitárias, de que todas as pessoas que viajam para regiões endêmicas devem se vacinar contra a doença, provocou uma grande procura pela vacina em várias cidades do Brasil. Mais de 500 pessoas foram atendidas ontem no posto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A média em dezembro foi de 100 imunizações por dia.
Em São José do Rio Preto e Araçatuba, no interior de São Paulo, o número de doses aplicadas desde segunda-feira equivale ao total de imunizações feitas durante o mês todo. Em algumas unidades, as filas estão se formando há dois dias. Preocupadas, as autoridades de saúde iniciam campanha para esclarecer a população. Em Rio Preto, foram vacinadas cerca de mil pessoas nos últimos quatro dias.
"Mesmo assim, as pessoas correm aos postos, dizem que perderam a carteirinha de vacinação ou inventam que vão viajar", diz Michela Dias Barcelos, responsável pelo setor de imunização da Secretaria Municipal de Saúde. A prefeitura planeja intensificar campanhas de esclarecimento.
No Rio, a procura foi tanta que os estoques de vacina contra a febre amarela nos postos de saúde da cidade se esgotaram. Um lote extra de 20 mil doses já foi adquirido e estará disponível hoje, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. A procura aumentou cerca de 1.000% nos últimos dois dias.
Em Porto Alegre, em apenas dois dias, a Secretaria Municipal de Saúde aplicou 820 doses da vacina. A demanda concentrada é nove vezes superior à média de 44,1 doses diárias de todo o mês de janeiro do ano passado, quando foram imunizadas 1.324 pessoas.
(Colaboram Elder Ogliari, Leonardo Werner e Alexandre Gonçalves, de O Estado de S. Paulo)
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