Feira de Petrópolis está na fase 1

Evento de tecnologia que ocorreu semana passada misturou palestras de negócios com feira de ciências – e não empolgou

Rodrigo Martins,

11 Agosto 2008 | 00h00

É preciso inovar. É preciso qualificar. É preciso democratizar. É preciso brincar... Durante o Festival de Tecnologia de Petrópolis (FTP), que rolou entre segunda e sexta-feira, os participantes assemelhavam-se mais nos "é preciso" que soltavam ao tratar de tecnologia do que em suas áreas de interesse. O evento foi uma "salada mista": enquanto PHDs, executivos e políticos discutiam problemas estruturais da falta de inovação no País, crianças de uniforme arrepiavam seus cabelos na mostra de ciências e universitários de bermuda controlavam robôs para derrubar latas. Com a pretensão de tornar-se a "Flip da tecnologia", em referência à tradicional Festa Literária de Parati, a primeira edição do FTP não conseguiu mobilizar os cerca de 300 mil habitantes de Petrópolis. Os principais pontos turísticos tiveram programação cultural e tecnológica com show, teatro e filmes como o clássico russo O Encouraçado Potemkin, de 1925. Mesmo de graça, as sessões sofriam para ter metade da lotação. "A primeira Flip também não mobilizou Parati. Eu estive lá", argumenta a organizadora do FTP, Ana Hoffman. "Foi pouco o tempo para a divulgação." A programação principal, a de debates, também não lotou. Em alguns momentos, o auditório, de 400 lugares, tinha apenas 20 espectadores. A maioria das palestras era só para convidados que "decidem os rumos da tecnologia no País" e ocorreu na Faculdade de Medicina de Petrópolis. Era nessa hora que os "é preciso" rolavam soltos. Logo na abertura o secretário-executivo do Ministério de Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, cobrou inovação das empresas nacionais: "O governo tem dinheiro para financiar projetos", disse, referindo-se aos R$ 41,2 bilhões previstos para a área até 2010. "Mas é preciso que tenham ‘musculatura’. Por falta disso, 50% do que foi apresentado em 2007 não foi aprovado." As empresas, por sua vez, alegaram falta de mão de obra: "Sobram vagas. É preciso mais pessoas especializadas em tecnologia no Brasil", opinou o gerente de tecnologia da BR Distribuidora, Nelson Cardoso. "Ter de trazer profissionais do exterior para treinar as equipes é muito dispendioso", disse o gerente de tecnologia da Shell, Rômulo Barroso. Os "é preciso" se multiplicavam nas 54 palestras. "É preciso investir em acessibilidade para deficientes na internet. Não por caridade, mas porque eles formam um público economicamente ativo, que fica mais tempo conectado e que pode dar lucros", afirmou o presidente WorldTimes, Axel Leblois. "É preciso dar oportunidade para os jovens mostrarem suas idéias", disse a vice-presidente do Instituto de pesquisas Gartner, Ione Borges Coco. "É preciso acreditar nas suas idéias. Em tecnologia, uma boa história vende mais do que qualquer coisa", disse americano Ben Kaufman, de 21 anos, empresário e milionário desde os 18. Enquanto engravatados discutiam e discutiam, quem se divertia era a criançada. Instalada no Palácio de Cristal, uma construção em vidro de 1884, a mostra de ciências trazia bicicleta para gerar eletricidade, Van Der Graaf – aquela máquina que gera energia e arrepia os cabelos ao toque – e experimentos para ilusão de ótica. Cerca de 30 mil alunos compareceram. "Gostei de arrepiar os cabelos. Tecnologia não é só videogame e internet. Também é ciência", disse a aluna da 6ª série Emanuelle Guettnaueer, de 12 anos, que compreendeu o espírito da "salada mista" que foi o primeiro FPT.

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