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Feira Design Miami celebra o melhor da criação contemporânea

Em menos de uma década, mostar se firma como uma das principais do setor no cenário internacional

Marcelo Lima,

11 Dezembro 2011 | 00h00

MIAMI - O clima é de celebração. Em sua sétima edição, a Design Miami firma sua posição estratégica no cenário global: para o público e para a mídia especializada trata-se de ponto de parada obrigatório para tomar contato com a produção de ponta de todo o mundo. Para colecionadores e amantes do design, o evento é uma rara oportunidade de conferir, em um único pavilhão, grandes momentos da criação internacional de todo o século 20 até os dias de hoje.

 

Um sucesso que deve muito ao formato particular proposto pela exposição. "Diria que nosso controle de qualidade é duplamente certificado. Nossa curadoria procura selecionar expositores entre as melhores galerias de design de todo o mundo. Depois, existe a curadoria específica de cada uma delas; sendo que todas são, reconhecidamente, especialistas em suas áreas", explica Marianne Goebl, diretora da Design Miami, que, este ano, aconteceu de 30 de novembro até o último dia 4.

 

Some-se a isso a atmosfera de efervescência criativa que se instala na cidade durante o evento, com a realização da filial da feira de arte suíça Art Basel, além da intensa programação cultural do Design District (ver pág. 18). Assim se tem uma ideia aproximada do porquê, em menos de uma década, de desconhecida, a mostra se tornou uma referência.

 

 

Ao todo, são 28 os convidados oficiais. Uma lista consistente de galerias de design do mundo todo, com destaque para os representantes dos Estados Unidos, como a Demisch Danant , a R 20th Century e a Johnson Trade, de Nova York, e da Grã Bretanha, como a Oficina Carpenters e a Didier Ltd, de Londres. Mas também com espaço para casas europeias de peso, como as galerias Patrick Seguin e Kreo, de Paris, e a Pierre Marie Giraud, de Bruxelas.

 

Famosa pelo alto nível de seus expositores, o Design Miami tem se destacado ainda pela exclusividade da produção veiculada: móveis, luminárias, objetos e acessórios decorativos, produzidos via de regra em pequenas séries ou apresentados como peças únicas, construídos com materiais nobres, por vezes raros, e a partir de técnicas de elaboração complexas, sejam elas artesanais, industriais ou, em muitos casos, um mix das duas.

 

 

"Com foco no século 20, procuramos contemplar o melhor da produção nos cinco continentes, incluindo, a partir deste ano, a África. Nesta edição, por exemplo, revisitamos os trabalhos dos arquitetos franceses das décadas de 40 e 50, os modernistas brasileiros e também os californianos. Passamos em revista o design italiano pós-moderno e terminamos por lançar um olhar sobre as embarcações de madeira coreanas", conta Marianne, sinalizando um possível percurso para o visitante mais antenado.

 

Designer do ano. Paralelamente à mostra oficial, a Design Miami organiza ainda um intenso programa cultural, reunindo celebridades do mundo da arquitetura, da arte, do design e da moda para discutir suas influências e seus processos de trabalho. Caso, por exemplo, do tanzaniano David Adjaye, arquiteto radicado em Londres, eleito designer do ano pela direção do evento, que foi encarregado de criar uma instalação especial, para receber os convidados logo na entrada do pavilhão de exposições.

 

 

"Defino este trabalho como meu primeiro móvel autenticamente arquitetônico. Além de ter sido construído na escala de um edifício, e possuir janelas e portas, ele, tal qual um móvel, conta com assentos e encostos. Tudo reunido em um só volume", diz Adjaye, a respeito de Genesis: sua original criação que bem sintetiza o espírito da mostra, que tem no cruzamento de diferentes disciplinas um de seus pontos fortes, no que não deixa nada a desejar.

 

À parte, talvez, a ausência de uma galeria brasileira entre suas representações internacionais. Uma participação que, se levarmos em conta a opinião de Claudio Luti, presidente da italiana Kartell, por certo teria tudo para ser bem-sucedida. "Admiro as cadeiras brasileiras. Mas a maioria delas está mais próxima do artesanato do que da produção industrial." Uma aparente desvantagem levando -se em conta a produção em larga escala. Mas que pode se revelar salutar se se pensar em exclusividade. Um motivo a mais para ficar atento ao que se passa na América. E, em se tratando do design brasileiro, Miami pode estar mais perto do que se imagina.

 

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