Festival terá 1ª sessão de cinema digital ‘ultradefinido’

O próprio Beto Souza, diretor de Enquanto a Noite Não Chega, o primeiro filme brasileiro filmado com câmera 4k, ainda não viu seu filme exibido em ultradefinição. Realmente não é fácil reunir a parafernália – projetor brasileiro, decodificador americano, drive japonês. Poucos lugares no mundo conseguiram o feito, caríssimo. A partir de hoje à noite, por causa do File, o Brasil é um deles. O esforço do festival em prol do cinema digital é tão grande que o tema do evento foi definido a partir da tecnologia 4k. Cada fotograma captado com câmeras 4k tem mais de 8 milhões de pixels, quatro vezes mais que a alta definição (HD). Por isso, o slogan: "File 2008 milhões de pixels". O esforço não é à toa. A tecnologia 4k inaugura de fato o que se entende por cinema digital, já que as câmeras produzidas pela Red Digital Cinema são usadas com as antigas lentes de cinema. Foi o passo necessário para a produção cinematográfica passar dos simples vídeos digitais para o cinema em si. "Não tenho nada de religioso na minha vida, mas conhecer o 4k, para mim, foi uma experiência religiosa", afirmou ao Link o diretor de fotografia de Enquanto a Noite Não Chega, Renato Falcão. Ele assistiu a exibições 4k em Nova York e sugeriu o uso da tecnologia no filme de Beto Souza, que se baseia na obra do escritor gaúcho Josué Guimarães. "Conseguimos uma luminosidade absurda. É uma captação pura, sem ruídos, limpa", diz Falcão. A idéia da ultradefinição de imagem saiu da cabeça do empresário Jim Jannard, há dois anos. Dono da grife Oakley e fascinado por cinema, decidiu que fabricaria a melhor câmera do mundo – e usou parte do patrimônio pessoal de US$ 2 bilhões no projeto. A loucura resultou na criação da Red Digital Cinema e virou piada entre produtores de Hollywood. Como um fabricante de óculos revolucionaria o cinema? Até que Peter Jackson, conhecido por ter dirigido a trilogia Senhor dos Anéis, usou a câmera 4k no curta Crossing the Line. Depois, a Sony adotou o formato e produziu projetores. Até que o diretor Steven Soderbergh anunciou dois filmes com a câmera da Red (The Informant e Guerrilla, com participação do ator brasileiro Rodrigo Santoro). Estava feito o estrago que traria o cinema, de fato, ao mundo digital. "A película está com os dias contados", afirma o diretor Beto Souza. Antes de adotar o 4k, ele pensava em filmar Enquanto a Noite Não Vem com película de 35 milímetros, com mais grânulos que o normal, o que a torna muito sensível e detalhada. "A câmera 4k chegou muito perto dos 35 mm." A equipe de Souza levou para o set de filmagens dois discos rígidos (HDs) de 2 terabytes (TB) cada e captou tudo em cartões de memória. Uma pré-montagem já era feita na hora, num notebook, e as cenas erradas, descartadas. Eis o cinema digital.

Lucas Pretti,

04 Agosto 2008 | 00h00

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