Figo: cultivo secular em Valinhos

Frutífera foi introduzida no município em 1901, e hoje, quase como antigamente, ainda tem tratos e colheita manuais

Rose Mary de Souza, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2008 | 04h19

Há mais de um século, o figo roxo é a principal lavoura na economia agrícola de Valinhos, na região de Campinas (SP). Antes de se tornar município, o então distrito de Campinas, povoado por imigrantes italianos, em vez de aderir à expansão cafeeira preferiu cultivar as figueiras da Itália, oriundas do Mar Adriático. As primeiras mudas chegaram em 1901, a cultura se expandiu na região e hoje a fruta ganhou até "sobrenome": figo roxo de Valinhos. Com a introdução de novas técnicas de cultivo e do melhoramento genético da variedade para adaptá-la ao clima da região, o figo produz praticamente o ano todo. A safra regular com melhor carga está entre novembro e abril, época que coincide com as festas de fim de ano e férias, períodos em que o consumo aumenta. QUARTA GERAÇÃO O produtor Alcir Roberto Previtali é o representante da quarta geração de plantadores de figo em Valinhos. Ele é um dos 110 agricultores na atividade, que gera 3 mil empregos. Em sua propriedade são 40 mil pés. A quantidade de figueiras da família, porém, triplica, pois são três irmãos em áreas quase iguais. Da figueira adulta colhe-se entre 6 e 7 caixas com 24 unidades e, das mudas jovens, a metade disso, explica ele. "Estou sempre renovando o pomar. Introduzindo novas mudas em troca das antigas com mais de 15 anos, que começam a diminuir a produção", diz. Entre a experiência dos bisavós e a inclusão de técnicas atuais, o produtor destaca a rotação da cultura para melhorar a produção, colher frutos com mais qualidade, preservar a terra e diversificar a lavoura. "Em uma área onde tinha figo a gente põe morango, goiaba ou outra lavoura. Na área anterior, volto a plantar o figo e assim vamos fazendo essas trocas." Metade da colheita de Previtali é exportada e a outra vendida em centrais de abastecimento. Na sua opinião, o preço no mercado externo ajuda a equilibrar o preço interno. Crise financeira internacional, alta e baixa do dólar e das bolsas interferem e amedrontam na hora de fechar negócio. "Mas se o figo ficar aqui o preço despenca com o excesso de oferta", diz o produtor. NOVAS ÁREAS Houve um aumento de 5% de novas áreas cultivadas este ano. "Valinhos tem 260 hectares de figo produzindo em um total de 290 hectares", diz o agrônomo da Casa da Agricultura de Valinhos, Henrique Conti. Os 30 hectares de plantas novas vão frutificar em meados de 2009. Segundo Conti, a atividade continua quase como antigamente: essencialmente manual, do plantio à colheita. "Não dá para entrar com trator." A pulverização de calda bordalesa é um recurso para o controle de fungos e empregada pela totalidade de produtores. A solução de sulfato de cobre com cal hidratada atinge toda a extensão da planta e não penetra no fruto. Para comemorar a safra, os produtores organizam, de 17 de janeiro a 1º de fevereiro, a 60ª Festa do Figo e a 15ª Expogoiaba. INFORMAÇÕES: Casa da Agricultura de Valinhos, tel. (0--19) 3871-1613

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