Fim de ano altera horário de lentidão em São Paulo

Comércio e férias escolares diminuem congestionamento no rush e aumentam fora do rodízio

Naiana Oscar, do Jornal da Tarde, e Renato Machado, de O Estado de S. Paulo,

03 Dezembro 2008 | 09h04

O movimento nos centros comerciais e o início das férias escolares mudam o perfil do congestionamento de São Paulo nesta época do ano: a lentidão diminui na hora do rush e aumenta fora do horário do rodízio, das 10 às 17 horas. Nos últimos dois anos, entre outubro e dezembro, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou crescimento médio de 10,7% nos índices de congestionamento no período. Nos picos da manhã e da tarde houve queda de 17% e 7%, respectivamente. Ontem, às 15 horas, os motoristas enfrentaram 133 km de lentidão, antes da chuva.   Veja também: Como o trânsito parou São Paulo e os números da frota  As medidas que ajudariam a aliviar o trânsito na capital  Dossiê Estado: os números do trânsito em SP   Acompanhe a situação do trânsito rua-a-rua         Para quem estuda o tráfego, esse é um claro sinal de que o trânsito reflete a vida da população. "Agora, parte das atividades começam a parar, ao mesmo tempo que as pessoas têm de tomar providências para o fim do ano, reformar a casa, fazer compras", diz o engenheiro de tráfego e ex-técnico da CET Sérgio Ejzenberg.   O consultor de trânsito Horácio Figueira também define a mudança como resultado de uma "migração" das viagens. Os deslocamentos para a escola ou para o trabalho são "escravos" dos horários de pico. Sem eles no mês de dezembro, a hora do rush fica mais tranqüila. "Uma pessoa só vai sair às 7 horas para fazer compras se quiser ser a primeira na 25 de Março", brinca Figueira. "Os shoppings funcionam até tarde. É também à noite que as pessoas vão ver as decorações de Natal", diz. Mas congestionamento noturno não é monitorado.   À tarde, quando os veículos estão liberados do rodízio, a lentidão se concentra nas proximidades de shoppings e ruas de comércio, como 25 de Março, no centro, e José Paulino, no Bom Retiro. Nem a Operação Natal da CET consegue impedir que o impacto do grande fluxo de veículos nessas regiões atinja as outras vias. Ontem pela manhã, a Prefeitura pedia para que os motoristas evitassem a região do Brás.   O advogado Michel de Albuquerque, de 52 anos, planejou ir ao Mercado Central na hora do almoço. "Imaginei que fugiria do trânsito, mas pelo jeito todo mundo teve a mesma idéia", comentou. Ele levou duas horas do Brooklin ao centro e apenas uma para encher as sacolas.   Além dos paulistanos, a capital recebe nesta época do ano muitos turistas, atraídos por 77 shoppings e mais de 9 mil lojas. Segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), aproximadamente 400 mil pessoas devem vir à cidade para fazer compras de Natal. Com eles, as ruas recebem centenas de ônibus de excursão. A Associação de Lojistas do Brás afirma que a região recebe em média 300 ônibus por mês ao longo do ano, mas o número praticamente dobra no Natal. Ao todo, 500 mil pessoas por dia circulam na região. O mesmo acontece com o Terminal Turístico de Compras da 25 de Março, onde trafegam normalmente 900 ônibus em dezembro.   Embora a CET não divulgue números e não tenha programado operações nas entradas da cidade, especialistas dizem que esses são pontos de lentidão, uma vez que muitas pessoas de cidades perto de São Paulo fazem suas compras na capital.

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