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Forças do governo ucraniano recapturam área tomada por separatistas

REUTERS

05 Julho 2014 | 15h 55

Forças ucranianas expulsaram rebeldes pró-Rússia na área de maior conflito no leste da Ucrânia neste sábado e levantaram a bandeira azul e amarelo do país novamente sobre o que tinha sido por meses o reduto separatista da Slaviansk.

Um repórter da Reuters viu um comboio de cerca de 20 veículos militares e ônibus lotados de rebeldes armados deixando Kramatorsk, para onde eles foram após fugirem do reduto separatista de Slaviansk.

Cerca de 100 a 150 soldados ucranianos patrulhavam o centro de Slaviansk e alguns traziam armas e munição dos prédios administrativos que os rebeldes usavam como base.

Tiros puderam ser ouvidos nos arredores da cidade que servia como uma fortaleza para as forças de comando rebeldes, e um dos soldados ucranianos disse que a cidade ainda não estava completamente sob controle.

O recém-nomeado Ministro da Defesa, Valery Heletey, apareceu confiante ao se reportar ao presidente ucraniano Petro Poroshenko.

"Sua ordem de libertar Slaviansk dos combatentes (separatistas) foi realizada", disse ele em nota divulgada no site da presidência.

Heletey disse que a bandeira ucraniana foi levantada no principal prédio administrativo de Slaviansk, substituindo a bandeira tricolor branca-azul-vermelha da Rússia que os separatistas haviam fincado no início de abril quando eles tomaram prédios importantes da cidade de 130 mil habitantes.

O ministro do Interior, Arsen Avakov, afirmou que um grande número de separatistas fugiu de Slaviansk após serem atacados por forças ucranianas.

"Um número significativo de militantes deixou Slaviansk. No caminho, nossos grupos de batalha estão encontrando todos eles, que estão sofrendo baixas e se rendendo", disse o ministro em comunicado publicado em sua página no Facebook. Uma fonte próxima aos separatistas contou à Reuters que os rebeldes estavam em minoria de 50 para 1.

Aleksandr Borodai, líder da autoproclamada República do Povo de Donetsk, disse à agência de notícias Interfax: "As forças punitivas da Ucrânia promoveram uma ofensiva de larga escala. Dada a desproporção numérica das tropas inimigas, unidades de forças armadas da República do Povo de Donetsk tiveram que deixar suas posições no setor norte do fronte."

Após ouvir um relatório das forças armadas, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, ordenou que a bandeira do país fosse hasteada em edifícios públicos de Slaviansk.

Slaviansk era o maior reduto dos militantes contrários ao governo no leste da Ucrânia. A recaptura da cidade seria a maior vitória militar de Kiev nos três meses de conflito, que tem um saldo 200 soldados ucranianos mortos, além de centenas de civis e rebeldes.

NOVA OFENSIVA

As revoltas na região começaram em abril, depois que rebeldes tomaram edifícios públicos, construíram um poderoso arsenal de armas roubadas e declararam independência, chamando o governo pró-europeu de Kiev de ilegítimo.

Toda a crise teve início depois que protestos de rua derrubaram o presidente Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou, no fim de fevereiro, depois que ele rejeitou um acordo político e comercial com a União Europeia para favorecer a Rússia.

Depois, os russos anexaram a região da Crimeia, e revoltas separatistas contra as novas autoridades de Kiev surgiram, com regiões proclamando independência e pedindo a anexação pela Rússia.

O governo lançou uma nova ofensiva contra os separatistas na terça-feira, depois de Poroshenko permitir que um cessar-fogo unilateral de 10 dias expirasse sem ser estendido.

(Por Maria Tsvetkova)