Games abusa dos sustos e choca com visual ogro

"Condemned 2" mistura violência brutal, elementos de investigação policial e perturbadores fenômenos paranormais

Jocelyn Auricchio,

04 Agosto 2008 | 00h00

Condemned: Criminal Origins foi um dos principais jogos no lançamento do Xbox 360. Misturando elementos de tiro em primeira pessoa com exploração, um toque de RPG e muitos sustos, a estética propositalmente suja e a história perturbadora o transformaram em um clássico instantâneo. Em vez de se concentrar no tedioso mata-mata com armas de fogo, o jogo oferece outras opções de combate. As lutas, na maioria das vezes, ocorrem com objetos que podem ser conseguidos pelo cenário. Sua continuação, Condemned 2: Bloodshot, segue pelo mesmo caminho, com gráficos atualizados, a mesma ambientação sufocante e uma dose generosa de sustos gratuitos. Apesar de ser uma continuação direta, uma série de flashbacks se encarrega de deixar o jogador de primeira viagem inteirado do que aconteceu antes. O game consegue responder várias perguntas que ficaram no ar no primeiro jogo, mas a narrativa bem amarrada não deixa nenhum jogador perdido. Ethan Thomas está de volta, quase um ano depois de sua aventura original. Depois de ter sua psique praticamente retalhada no primeiro jogo, ele se entregou à sujeira e dorme na sarjeta, em constante estado de embriaguez, vivendo no lixo e convivendo com ratos e baratas. Como abandonou sua carreira de policial, ele é visto como um pária pelos seus ex-colegas. Por conta de uma nova crise envolvendo estranhas circunstâncias, ele foi chamado à ativa. Apenas a experiência dele em lidar com a loucura urbana pode resolver o mistério. Um dos pontos mais legais – e perturbadores – do jogo é o uso de objetos comuns como armas. Canos, barras de ferro, vigas de madeira e tijolos podem ser usados para o ataque. Os objetos utilizados como bastões ou martelos, para atingir os oponentes com força máxima, ou arremessados, para maior alcance. É indescritível a sensação de se jogar um tijolo no meio da cara de um agressor seminu que corre enlouquecido atirando com um escopeta. A satisfação sangrenta que o jogo dá é no mínimo inquietante, pois além do aspecto gráfico (o sangue rola em profusão pela tela) há um profundo apelo psicológico nos combates. Você é levado a se sentir bem com a violência, ao ponto de, em alguns momentos, precisar pausar o jogo para respirar e desanuviar a mente. É cachorro comendo cachorro o tempo todo. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL Mas a violência é apenas um dos fatores marcantes de Condemned 2. O jogo também traz uma dose enorme de investigação forense, nos moldes da série televisiva CSI. Você precisa coletar evidências, analisar cenas de crimes e seguir pistas. Para isso, você conta com um dispositivo portátil que reúne câmera digital, telefone, GPS, luz ultravioleta e sensor de vibrações infra-sônicas. O aparelho tem múltiplas utilidades. Serve para mandar fotos de cadáveres para a central de polícia, identificar pegadas sangrentas no chão imundo e até encontrar dispositivos sonoros que enlouquecem os meliantes, fazendo-os atacá-lo sem aviso. Esses ataques furtivos são uma das estrelas do game. Em algumas horas a escuridão toma conta e a única pista de onde estão os oponentes é a respiração ofegante e o balbuciar enlouquecido que o cerca. Jogar no escuro, com o som do home theater ligado, é altamente desaconselhável para cardíacos. Os sustos são de pular do sofá. FRUSTRAÇÃO TOTAL Mas nem tudo é perfeito em Condemned 2. Existem profundos problemas de jogabilidade que podem frustrar bastante, especialmente a jogadores de primeira viagem. Automaticamente, o jogo registra pontos em que o jogador aparece depois de morrer. Esse recurso serve para que o jogador não precise passar pela fase inteira caso morra nas mão de um inimigo mais difícil. O problema é que não existe o menor critério na colocação desses pontos. Em vez de colocar um ponto desses antes de um inimigo em particular, a Monolith, produtora do jogo, optou por aumentar a dificuldade do jogo encadeando grupos de oponentes antes dos mais difíceis. Na prática, o jogo faz assim: depois de ser estraçalhado por um grupo de mendigos psicóticos, o jogador abre uma porta e, surpresa, um gigante anabolizado praticamente imune a pancadas vem para cima e mata seu personagem. Sinceramente, isso adiciona ao jogo uma carga de dificuldade totalmente artificial, que vira frustração letal, e lá pela terceira vez, aversão ao jogo. Mesmo assim, a história intrigante e a ação tensa e sombria de Condemned 2 vale as horas investidas, desde que você agüente os sustos. CONDEMNED 2: BLOODSHOT PRODUTORA | Monolith DISTRIBUIDORA | Synergex: (11) 4133.1313 PREÇO | R$ 230 (em média) PLATAFORMAS | Xbox 360/ PlayStation 3 DETALHES | O jogo, recomendado para maiores de 18 anos, tem ambientação claustrofóbica e visual sujo, que combinam com a história sombria e jogabilidade cheia de violência. Pessoas cardíacas ou impressionáveis devem evitar o game.

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