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Governo entra em cena e pode garantir sobrevida a Sarney

PT é enquadrado e passa a defender uma reforma estrutural do Senado com José Sarney na presidência

01 de julho de 2009 | 20h 02
Reuters

O senador José Sarney (PMDB-AP) conseguiu nesta quarta-feira retomar parte do fôlego perdido na véspera, mas ainda não respira aliviado. O futuro do presidente do Senado está nas mãos do governo, mas também depende do surgimento de novas denúncias.  O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para salvar o aliado, fundamental à governabilidade no Senado e à aliança estratégica para a eleição de 2010, em que o PMDB é parceiro prioritário.

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O PT, originalmente a favor do afastamento temporário de Sarney, acabou enquadrado e passou a defender uma reforma estrutural da instituição com José Sarney (PMDB-AP) no cargo. Como o partido não optou pelo apoio incondicional, a decisão não o salva, mas pode lhe dar sobrevida. "Nós sabemos quanto essa aliança é importante e o quanto a liderança do presidente Sarney junto à bancada do PMDB é decisiva", disse o líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), defensor da licença.

Na terça-feira, Sarney teve seu pior dia. O PSOL protocolou contra ele um processo por quebra de decoro. PSDB, DEM e PDT pediram seu afastamento. As três legendas somam 32 dos 81 senadores.

A união de DEM e PSDB transformou a crise em disputa política. Do exterior, Lula acusou a oposição de querer ganhar o comando do Senado no "tapetão".

A decisão do PT de não retirar apoio formal a Sarney foi tomada em uma reunião da bancada de senadores, mas contou com a interferência pouco usual do presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP). Ele foi a voz do governo em nome da preservação da aliança com a cúpula do PMDB.

Pré-candidata à sucessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) também atuou a favor de Sarney. Diante da evidente desidratação de apoio político na véspera, ela pediu-lhe pessoalmente que não tomasse decisão alguma antes de conversar com Lula, de volta do exterior nesta noite.




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