Governo quer incentivar indústria local de chips

O governo federal espera fomentar a fabricação de componentes eletrônicos no Brasil com isenções fiscais, mas esse processo pode demorar até uma década para gerar resultados mais consistentes. As indústrias que se instalarem no Brasil terão isenção total de Imposto de Renda, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), do Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) incidente sobre a venda do equipamento. Os cortes em impostos, que fazem parte do Programa de Incentivos ao Setor de Semicondutores deve criar as condições necessárias para a fabricação desses componentes, segundo avaliou o secretário de Desenvolvimento da Produção do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Antônio Sérgio Martins Mello. Ele lembrou que o Brasil só dispõe de uma empresa do setor de semicondutores, especializada em encapsulamento - uma das etapas finais da fabricação dos chips. ?O que desejamos para o País é atrair uma indústria que tenha todo o segmento na produção do chip, desde a concepção, a difusão, o encapsulamento, percorrendo toda a cadeia", explicou. Como o setor não existe ainda no país, portanto não haverá perdas na arrecadação, o governo incluiu no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) incentivos muito amplos.A compra de máquinas e de equipamentos de tecnologia e softwares (programa de computador) também terá isenção de impostos. Segundo Mello, a instalação das empresas é um processo de longo prazo, mas depois disso grande parte da produção poderá ser exportada. ?Daqui a dez anos, em hipótese, teríamos uma indústria instalada com um volume de exportação de cerca de 60% da produção?, disse ele. O diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, José Ricardo Coelho, credita que os incentivos previstos no PAC não são suficientes para atrair as indústrias de semicondutores, embora considere a iniciativa positiva para o país. ?O primeiro passo foi dado, que é essa desoneração tributária. Outros pontos seriam importantes como identificar as empresas que poderiam fazer esse investimento?, afirmou. Ele disse que levará entre cinco e dez anos para que o Brasil tenha um parque industrial de semicondutores instalado. ?Essa é uma tecnologia de ponta muito complexa e são poucas as empresas no mundo que dominam essa tecnologia. Não é um projeto de curto prazo?, disse.

Agencia Estado,

30 Janeiro 2007 | 17h16

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