Hamas declara fim ao cessar-fogo com Israel em Gaza

O Hamas declarou na quinta-feira que chegou ao fim o cessar-fogo de seis meses com Israel na Faixa de Gaza, aumentando as perspectivas de uma escalada da violência na fronteira. "A calma acabou", disse a autoridade do Hamas Ayman Taha em comunicado após concluir as conversas com facções palestinas no enclave controlado pelo grupo islâmico. Ele afirmou que o acordo de cessar-fogo, o qual o Hamas diz estar marcado para acabar em 19 de dezembro, não será renovado "porque o inimigo não foi fiel a suas determinações" para amenizar o bloqueio à Faixa de Gaza e paralisar todos os ataques. O Hamas chegou perto de ameaçar uma escalada imediata da violência contra Israel, que esperava estender a paz e parece cauteloso de que uma confrontação poderia causar muitas mortes em ambos os lados. Em um comunicado, a União Européia pediu a "suspensão imediata" dos disparos de foguetes e das incursões israelenses. As tensões ao longo da fronteira entre Israel e Gaza aumentaram no começo do mês passado, quando uma violenta incursão militar israelense deflagrou uma onda de ataques com foguetes por militantes palestinos. Na quarta-feira, ao menos 20 foguetes atingiram Israel, ferindo duas pessoas. O Exército respondeu com ataques aéreos que mataram um palestino. Na quinta-feira, mais 14 foguetes caíram em solo israelense, causando danos, mas sem ferir ninguém. Israel insiste que o cessar-fogo é do interesse dos palestinos e deveria continuar por prazo indeterminado. Alguns moradores de Gaza esperam que o acordo prossiga. "Espero que a trégua seja renovada para que possamos continuar a viver em nossas casas", disse Umm Mohammed, mãe de 10 filhos cuja casa no leste da cidade de Gaza está próxima ao muro fortificado na fronteira com Israel, de onde os tanques partiram em incursões anteriores. Na cidade israelense de Sderot, entretanto, alvo frequente dos foguetes de Gaza, as pessoas zombam da noção de "calma". "Que calma? Tivemos alguma calma até agora? Se isto é calma, então o que teremos quando piorar?", disse Yossi Timsit na quinta-feira, enquanto soavam sirenes e os moradores corriam para se proteger. O ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que o disparo de foguetes é "muito difícil de aceitar", mas não afirmou o que faria. Somando-se às dificuldades diárias em Gaza, a agência da Organização das Nações Unidas para assistência aos refugiados palestinos (UNRWA, na sigla em inglês), que presta assistência alimentar a metade da população de 1,5 milhão de pessoas da faixa, suspendeu a distribuição de alimentos.

NIDAL AL-MUGHRABI, REUTERS

18 Dezembro 2008 | 15h42

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