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Indústria brasileira recua após 10 meses de expansão

06 de janeiro de 2010 | 12h 58
DENISE LUNA - REUTERS

A produção da indústria brasileira surpreendeu e caiu em novembro frente ao mês anterior, abatida pelo setor automotivo, enquanto na comparação anual houve a primeira expansão após 12 meses de queda.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quarta-feira que a atividade recuou 0,2 por cento sobre outubro e avançou 5,1 por cento em relação a 2008.

Analistas não contavam com a taxa negativa frente a outubro mas já previam alguma acomodação da atividade depois de vários meses de aquecimento, e as perspectivas para 2010 são positivas, com previsão de mais investimentos do setor.

"Essa variação negativa de 0,2 por cento em novembro precisa ser relativizada na medida que é precedida de dez meses consecutivos de crescimento, no qual o setor industrial havia acumulado expansão de 19,4 por cento", explicou a jornalistas o economista do IBGE André Macedo.

Ele observou que, mesmo com a queda de novembro, a trajetória favorável da produção industrial não foi interrompida. "É uma acomodação em função de crescimentos anteriores", afirmou.

Analistas consultados pela Reuters previam, pela mediana das projeções, alta mensal de 0,8 por cento, com apenas uma de 18 estimativas indicando queda. Para a comparação anual, o prognóstico era de aumento de 5,9 por cento.

No mercado futuro de juros, as projeções mostravam alívio diante do dado mais fraco de produção --o que indica que o Banco Central teria mais espaço antes de começar a elevar o juro básico da economia.

Segundo Macedo, o setor automotivo --cujo peso é de 10 por cento no índice geral-- foi o responsável pela surpresa negativa, já que a produção recuou 2,2 por cento em novembro sobre outubro, depois de acumular salto de 107,6 por cento nos 10 primeiros meses do ano beneficiado por medidas de estímulo do governo.

Dos 27 setores pesquisados, 15 tiveram queda da produção na comparação mensal. Entre as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis e de bens de consumo semi e não duráveis registraram queda sobre outubro de, respectivamente, 4,8 e 0,6 por cento. Já a atividade de bens de capital e de bens intermediários subiu, respectivamente, 6,1 e 2,1 por cento.

Em relação a novembro de 2008, 20 dos 27 setores registraram aumento da produção, com destaque para Veículos automotores (22,9 por cento) e Outros produtos químicos (7,9 por cento).

Três categorias de uso tiveram expansão na comparação anual: bens de consumo duráveis (26,3 por cento), intermediários (5,2 por cento) e bens de consumo semi e não duráveis (1,8 por cento). Bens de capital caíram 2,5 por cento, ritmo bastante inferior ao recuo de 16,8 por cento de outubro.

O IBGE acrescentou que a produção industrial brasileira acumulou no ano até novembro queda de 9,3 por cento e nos últimos 12 meses, recuo de 9,7 por cento.

FORA DA CRISE

Dos 27 setores pesquisados pelo IBGE apenas seis deram a volta por cima da crise e já estavam produzindo em patamares superiores a setembro de 2008, quando a turbulência global se agravou.

Liderado por Bebidas (+9,7%), estão em plena expansão na comparação novembro 2009/setembro 2008 os segmentos de Perfumaria, sabões e produtos de limpeza (+8,5%), Outros produtos químicos (+2,8%); Celulose e Papel (+2,1%); Máquinas para escritório e informática (+1,1%) e Alimentos (+0,4%).

A indústria de maneira geral ainda se encontra 5,9 por cento abaixo do patamar de setembro de 2008.

Mesmo ainda em queda, os bens de capital, que indicam a expansão da capacidade de produção da indústria, também vêm demonstrando fôlego para recuperação e revelaram em novembro queda menor do que as registradas ao longo do ano.

Em outubro, a produção de bens de capital havia caído 16,8 por cento, reduzindo para queda de 2,5 por cento em novembro.

Sondagem da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostrou que o percentual de empresas que pretendem aumentar investimentos neste ano é de 48 por cento, ante 41 por cento em 2009.

REVISÕES

O IBGE revisou para cima o dado de atividade em outubro, de uma alta inicialmente divulgada de 2,2 por cento sobre setembro para expansão de 2,3 por cento.

A leitura sobre outubro de 2008 foi revista de queda inicial de 3,2 por cento para recuo de 3,1 por cento.

(Com reportagem adicional de Vanessa Stelzer)