Internet em 2006 ficou marcada pela Web social

Embora não chegue aos extremos do final do século XX, o ano de 2006 registrou um "miniboom" na área de tecnologia, entre outros, devido ao empurrão da "Web 2.0", a segunda geração de serviços baseados na internet. Este foi o ano da "web social", como alguns chamam o fenômeno da "Web 2.0", como prova o sucesso de sites de comunicações sociais como o Orkut, o LinkedIn, o MySpace, o YouTube e o Facebook. Além desses sites, as "tecnologias sociais", como os "blogs" e "wikis", estenderam-se como pólvora. Até as empresas já têm seus próprios blogs corporativos para promover seus produtos, enquanto a "wikimania", que começou com o Wikipedia - a popular enciclopédia gratuita online - chega agora a todas as áreas com sites como o ShopWiki (guia de compras) e o Wikitravel (sobre viagens). Tendências Os investidores estão de olho para colocar seus dólares em iniciativas centradas na "web social", ao ponto de no Vale do Silício (Califórnia) - berço de grande parte das empresas de internet e tecnologia dos EUA - começarem a aparecer sinais que lembram o "boom" e posterior colapso da área ocorrido em 1999. Por exemplo, repetem-se as histórias de jovens empreendedores que criam suas empresas de "fundo de garagem". Este é o caso do Facebook, criado por Mark Zuckerberg, um jovem de 22 anos sem nenhuma experiência anterior. Outros antecedentes desta "bolha 2.0", como alguns já chamam, estão na compra do serviço de telefonia através da internet Skype pelo eBay por US$ 2,6 bilhões, ou a aquisição do MySpace pelo magnata dos meios de comunicação Rupert Murdoch. O último capítulo desta tendência é os US$ 1,65 bilhão que a Google pagou pelo YouTube, companhia criada por jovens no Vale do Silício há menos de dois anos. Investimentos Como aconteceu no final do século passado, o mercado está prestando mais atenção à audiência de um determinado site do que a seu lucro, uma tendência perigosa que preocupa até os que estão ganhando dinheiro com a tendência. Entre eles está Michael Moritz, da firma de investimentos Sequoia Capital - promotora do YouTube, entre outros. O especialista afirmou, após a aquisição do YouTube pela Google, que "há uma tremenda quantidade de dinheiro estúpido, excepcionalmente tolo, que está fluindo no Vale do Silício". O crescimento aparentemente incessante do Google e seu imenso valor de mercado também são sinais deste auge. A Google voltou às primeiras páginas dos jornais de todo o mundo com, além da aquisição do YouTube, a compra e relançamento do editor de textos online Writely, seu novo serviço de planilhas de cálculo e o calendário online. Tocadores e games Além disso, no setor de tecnologia, este ano foi do iPod da Apple, que está tentando fazer com o vídeo digital que seu pequeno player já incorpora o mesmo que já fez com a música. O reinado do iPod, no entanto, se viu um pouco ameaçado por um concorrente poderoso: o Zune, um reprodutor digital que permite compartilhar músicas graças a sua tecnologia sem fio Wi-Fi, com o qual a Microsoft busca obter uma fatia deste promissor mercado. Enquanto isso, em 2006, consolidou-se a televisão de alta definição, uma nova tecnologia que dá melhor qualidade de imagem e que traz o auge das telas de cristal líquido (LCD), que parecem deixar para trás as de plasma. Já a "guerra dos consoles" recebeu um novo impulso com o lançamento, no final de novembro, do PlayStation 3, da Sony, e do Wii, da Nintendo. Os dois consoles chegaram às lojas com um ano de atraso em relação ao terceiro em disputa, o Xbox 360, da Microsoft, e prometem dar um grande impulso à poderosa indústria dos videogames.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2006 | 14h41

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