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Invasão de chilenos ao centro de mídia do Maracanã aumenta preocupação com segurança

RODRIGO VIGA GAIER - REUTERS

18 Junho 2014 | 18h 31

Pelo menos 200 torcedores chilenos invadiram o centro de mídia do Maracanã pouco antes da partida entre Chile e Espanha, nesta quarta-feira, e destruíram algumas instalações do local, aumentando a preocupação com a segurança nos estádios para as partidas da Copa do Mundo após algumas falhas nos últimos dias.

Ao menos 85 torcedores do Chile foram detidos pela Polícia Militar após o tumulto, mas alguns invasores conseguiram entrar no estádio e assistir à vitória do Chile por 2 x 0.

"Um grupo de pessoas sem ingressos forçou de forma violenta a entrada no estádio, quebrando cercas e passando pela segurança", disse o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo (COL) em comunicado. "A situação rapidamente foi controlada e pelo menos 85 invasores foram detidos de acordo com a Policia Militar".

Uma fonte da organização havia informado à Reuters antes do comunicado que havia ao menos 90 detidos.

De acordo com a Secretaria de Estado de Segurança, o COL pediu o apoio da Polícia Militar para garantir a segurança de alguns acessos ao Maracanã e para efetuar as detenções "por conta da ação agressiva e orquestrada", segundo nota do órgão.

O comitê organizador informou que os invasores foram contidos pela segurança e não chegaram aos assentos, mas uma fonte da organização da Copa reconheceu que alguns torcedores de fato conseguiram acessar as arquibancadas após a invasão pelo centro de imprensa.

O COL repudiou o que chamou de "atos de violência" e disse que comunicaria "em breve" medidas a serem tomadas.

PREOCUPAÇÃO COM SEGURANÇA

O episódio provoca preocupações de segurança para a Fifa e para os organizadores do evento, após, no domingo, torcedores argentinos terem conseguido pular o muro do estádio antes do jogo Argentina x Bósnia.

Além dos dois episódios no Maracanã, também houve problemas em Fortaleza, onde alguns seguranças não apareceram no estádio Castelão no jogo Brasil x México, forçando as autoridades a levar reforços para fazer a proteção do local.

Também em pelo menos dois jogos do Mundial torcedores conseguiram entrar nos estádios portando rojões, o que é proibido pela Fifa, incluindo na partida entre chilenos e espanhóis no Rio.

Os torcedores que invadiram o centro de imprensa nesta quarta quebraram a porta de vidro da entrada do local e tentaram chegar ao portão que leva os jornalistas ao campo, na esperança de assistir ao jogo da segunda rodada do Grupo B da Copa do Mundo.

Eles destruíram divisórias, arrombaram uma grade e promoveram uma correria na área designada a jornalistas, tentando encontrar um acesso às arquibancadas.

"Eles atravessaram o portão e correram para o estádio. Nós paramos eles", disse à Reuters o segurança Diego Guilherme de Souza Gonçalves.

Pelo menos uma torcedora chilena ficou ferida e foi levada para fora do local em uma cadeira de rodas.

"Não são bandidos nem marginais, são pessoas que estão no desespero, como eu, para tentar ver o jogo", disse um chileno à Reuters, que se identificou apenas como Alex.

"Há uma revenda absurda de ingressos lá fora. Tinham milhares de chilenos que não têm como pagar 1.200 dólares por um ingresso", completou.

"INVASÃO" NA ARQUIBANCADA

Em escala bem maior, a torcida chilena também promoveu uma verdadeira "invasão" na arquibancada do Maracanã e foi maioria entre as 74 mil pessoas que lotaram o estádio. Os chilenos fizeram uma grande festa na vitória por 2 x 0 sobre a Espanha que eliminou os atuais campeões do mundo e classificou o Chile para as oitavas de final.

O metrô do Rio operou em esquema especial com número extra de composições e de funcionários devido ao grande volume de passageiros em consequência da partida.

Mesmo assim, poucas horas antes do jogo as composições em direção ao estádio viajavam abarrotadas de torcedores, muitos cantando e fazendo festa nos vagões.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca e Ossian Shine)